A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 14/06/2020

De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação“. Embora essa visão seja correta, no jornalismo brasileiro observa-se o oposto: o uso de recursos que causam impacto emocional para divulgação de notícias, sem que haja preocupação com a veracidade dos assuntos. É necessário, portanto, analisar as causas do emprego do sensacionalismo pela imprensa no Brasil, e o reflexo de seu uso para a sociedade.

Em primeiro lugar, é importante entender que o sensacionalismo no jornalismo é uma estratégia mercadológica. Com objetivo de alavancar as vendas, a mídia recorre para divulgações apelativas, afim de atrair audiência, e maximizar os lucros. Em sua obra “A sociedade do Espetáculo”, Guy Debord defende que nossa sociedade é cada vez mais espetacularizada. O sociólogo francês afirma que os cidadãos são transformados em plateia passiva e submissa, e as questões sociais, em imagens a serem consumidas. De maneira análoga, jornalistas buscam carregar, por exemplo, questões políticas e criminais de sensacionalismo, de forma a atrair atenção do espectador, e transformar a notícia em produto.

Entretanto, esse tratamento vil dado à informação, aliado a falta de criticismo dos usuários, gera alienação dos cidadãos. É comum, por exemplo, que a parcialidade e partidarismo da imprensa interfiram na divulgação de notícias, seja para favorecer, seja para prejudicar governantes. Uma pesquisa desenvolvida pela XP/Ipespe revelou que a televisão é o canal com maior poder de influência para escolha dos candidatos nas eleições. Dessa forma, ao expor acontecimentos e ideias de forma exagerada, polêmica e chocante, visando emocionar a “plateia”, o ser humano tem sua opinião e comportamento moldados pela mídia, o que interfere em diversas questões pessoais, tal como na sua decisão de voto.

Com o intuito de amenizar essa problemática, o Poder Legislativo deve formular leis que limitem o uso de recursos sensacionalistas no jornalismo brasileiro, por meio de punições aos que descumprirem, a fim de diminuir essa manipulação midiática. Aliado a isso, instituições escolares devem promover debates e seminários para desenvolvimento do senso crítico dos alunos. Espera-se, com isso, reduzir a situação de insuficiência intelectual da população. Só assim, o jornalismo sério e coerente será valorizado, e poderá ser utilizado como instrumento confiável de democratização.