A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 25/06/2020
Em 2015, o apresentador José Luiz Datena foi protagonista da mais grotesca cena do jornalismo televisivo brasileiro: pediu encarecidamente, em rede nacional, que um suspeito detido após perseguição fosse executado sumariamente pelo policial que o apanhou. Merecidamente, foi alvo de diversas notas de repúdio e o fato serviu como ponto de partida para a discussão dos limites éticos dos jornais brasileiros. O crescente sensacionalismo midiático se deve, principalmente, à ausência de lei regulamentar referente aos programas policiais e à crença de uma legislação conivente com a criminalidade.
De início, vale ressaltar que o número crescente de programas semelhantes aos de Datena se deve ao interesse dos telespectadores pela temática. Para a teórica política Hannah Arendt, a banalização do mal é resultado de um ambiente propício para tal, uma vez que não é inerente às sociedades humanas. Isso pode ser verificado no Brasil, dado que não há legislação que limite a busca por audiência de jornalistas inescrupulosos que, cada vez mais, exploram e forjam o gosto por sangue em seu público.
Além disso, muitos brasileiros creem que nosso sistema judiciário é muito benevolente com aqueles que estão em conflito com a lei. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, cerca de 70% da população não confia no judiciário. Dessarte, muitos pessoas sentem-se no direito de fazer justiça com as próprias mãos. Assim, é criada uma espiral de violência, no qual os programas policiais criam a sensação de insegurança e impunidade e a população temerosa clama por mais violência para conter a criminalidade.
Portanto, para que essa problemática seja minorada é mister que seja criada lei que regulamente, de forma criteriosa, o conteúdo jornalístico-policial veiculado em âmbito nacional. Para tanto, o Governo Federal deve, por lei regulamentar, conforme prevê a Constituição Federal, estabelecer limites a serem obedecidos. Por exemplo, limitar a faixa horária de exibição desses conteúdos entre meia-noite e três horas da manhã. Dessa forma, os efeitos perniciosos desses tipo de entretenimento serão diminuídos.