A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 17/07/2020
Durante a instauração do “Estado Novo” no governo de Getúlio Vargas, houve, no Brasil, a propaga-ção do “Plano Cohen” na rádio governamental “Hora do Brasil”, uma carta forjada pela cúpula de Getúlio, cujo intento era reforçar o caráter antissemitista na população brasileira e instaurar um período ditatorial governado por Vargas. Voltando-se à contemporaneidade, é cognoscível que há anos a mídia utiliza dos seus mecanismos de visibilidade para praticar o sensacionalismo, uma vez que esse método atrai cada vez mais o público a utilizar esses meios de comunicações, entretanto, é inegável mencionar que o uso indiscriminado desse método ocasiona graves problemas à sociedade, visto que facilita a difusão de notícias falsas na comunidade nacional e instiga a cultura popular de julgamento moral.
Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, nos últimos 10 anos, houve um gama crescente exponencial de divulgação de “fake news” por todo território nacional. Nesse prisma, um levantamento feito pelo grupo Kantar, publicado em 2017, aponta que cerca de 67 % da população acredita fielmente no que é divulgado nos meios de comunicações e, aproximadamente,73% dos entrevistados dizem não checar a veracidade da notícia em outras fontes. À vista disso, é notório que a desinformação atrelada a facilidade de propagá-la traz nocivos efeitos para o Estado que, em compêndio, fomenta a elevação dos índices de “fake news” na comunidade e induz a população a um sistema totalitário informacional.
Em segundo plano, nota-se que o uso incontido do sensacionalismo fomenta o julgamento social baseado nos preceitos morais da população. Nesse viés, o professor de ciências criminais Salo de Carvalho aponta as mídias comunicativas como o principal fomentador do julgamento civil na sociedade moderna, uma vez que esse uso indiscriminado cria uma comunidade baseada no “Princípio de Talião”, na qual a punição está acima de qualquer moralidade. Nesse espectro, é compreensível que as mídias têm forte influência nas regulações societárias atuais, principalmente, na cultura popular e na ética civil que, de modo geral, favorece julgamentos baseados nos seus dogmas e constrói um país intolerante.
Em suma, medidas são essenciais para minorar o sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Primordialmente, o Ministério da Educação deve criar um programa nacional escolar que vise abranger todas escolas brasileiras, na qual a finalidade é realizar palestras e minicursos com historiadores e sociólogos, cujo objetivo é informar acerca dos problemas ocasionados pela propagação de falsas informações e debater acerca da importância de pesquisar acerca da veracidade das informações. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações em conjuntura com empresas tecnológicas privadas devem bloquear sites que propagam essas notícias sensacionalistas, com o desígnio de diminuir tais imbróglios na comunidade nacional e formar um Estado mais conscientizado.