A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 24/07/2020
O documentário “Quem Matou Eloá?”, produzido para a exibição nas plataformas digitais, levanta um debate sobre o papel da mídia brasileira no caso Eloá, uma adolescente paulista que foi mantida em cativeiro e assassinada em sua própria casa pelo ex-namorado. O comportamento adotado por jornalistas e profissionais da época a respeito dos fatos, até hoje é alvo de críticas quando o tema é o sensacionalismo vigente na imprensa brasileira. Esse tipo de postura é uma decorrência da presença de um velho jornalismo e da falta de políticas legislativas a respeito dos limites do trabalho de comunicação.
Primeiramente, é preciso dizer que apesar de haver uma variedade de veículos de imprensa à disposição, os altos dados levantados pela UNESCO a respeito do analfabetismo no Brasil revelam a razão pela qual eles ainda não são acessíveis a uma grande massa da população. A brecha causada pela falta de democratização desses meios fazem com que a televisão prossiga como um veículo de extrema popularidade. Atualmente, o Brasil conta com uma pequena variedade de emissoras disponíveis na TV aberta, sendo o monopólio daquelas cujas quais contam com mais de três décadas de existência, como o SBT e a Rede Globo. A falta de investimento financeiro e estímulo governamental fazem com que não haja uma abertura para a ascenção de novos canais de transmissão televisiva, com idéias inovadoras e políticas éticas atuais de propagação do jornalismo.
Ademais, não há no país uma norma legislativa que possa regulamentar as atividades jornalísticas de forma que não haja o ferimento do direito básico de liberdade de imprensa garantido pela constituição. Esse tipo de política se faz uma necessidade devido aos riscos que podem surgir de atividades informativas que sejam invasivas a trabalhos médicos, policiais ou mesmo pessoais. No entanto, é necessário que haja cautela na aplicação desse tipo de legislação, para que não seja abusiva, opressora e de viés político, como a que estava prevista no Ato Institucional de Número 5 durante o período militar.
Logo, é necessário que órgãos públicos, como o Ministério da Cultura e da Economia, abram margem para a ascenção de veículos de imprensa liderados por jovens profissionais, realizando políticas de estímulo tecnológico e financeiro, como a flexibilização de impostos para empresários interessados na área. Uma legislação laica, livre de ideologias políticas e de caráter exclusivamente protetor aos direitos pessoais e profissionais afetados pelo sensacionalismo jornalísitico, também deve ser implementada e executada por instituições como o Supremo Tribunal federal. Com essas ações, será possível alcançar um ambiente de maior proteção para as pessoas e para a imprensa ética.