A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 05/08/2020
De acordo com o filósofo Theodor Adorno, a indústria cultural, isto é, o conjunto dos meios de comunicação, produz diversas maneiras de entretenimento que corroboram para a alienação da sociedade consumidora. De tal modo, o sensacionalismo se mostra vigente no jornalismo brasileiro, contribuindo para que notícias exasperadas sejam reproduzidas de forma desmazelada, fomentando a alienação da população e, consequentemente, banalizando problemáticas cotidianas.
Em primeiro plano, é imperativo destacar a banalização de problemáticas sociais e seus efeitos. Segundo a filósofa Hannah Arendt e seu conceito de “banalidade do mal”, o mal se tornou comum socialmente e portanto, deixa de ser chocante e assustador. De tal maneira, o sensacionalismo é um grande catalisador para a banalidade do mal visto que, por meio da veiculação de notícias exageradas, problemas sociais como homicídios perdem a relevância e se tornam constantes na mídia brasileira.
Ademais, o sensacionalismo se fomenta principalmente na alienação da população. De acordo com o filósofo Aristóteles, a educação é a maneira de preparar o individuo para o convívio em sociedade. Isto posto, é fundamental que, para reduzir os impactos do sensacionalismo, a população tenha acesso a informação. Entretanto, a distribuição do ensino no Brasil não condiz ao desejado e segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 6% da população brasileira é analfabeta e outros 32% não tem ensino fundamental completo.
Infere-se, portanto, que o sensacionalismo reproduz, incessantemente, entretenimento nocivo à sociedade, no que tange à alienação social e à banalização do mal. Portanto, vê-se fundamental a atuação do Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração de políticas educacionais, no que diz respeito à adoção de políticas públicas de inserção educacional, direcionada à toda a população. Por conseguinte, a educação básica garantida a todos, contribuíria para o desenvolvimento da sociedade que Aristóteles defendia.