A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 10/08/2020

Manipulação. Interpretação exagerada de dados. Falta de imparcialidade. Essas são questões que caracterizam o problema do sensacionalismo demasiadamente inserido no contexto do jornalismo no Brasil, uma vez que a disputa por audiência torna-se mais importante que a própria veiculação de informação. Diante dessa perspectiva, observa-se a consolidação de um grave problema, em virtude de questões socioculturais e da falta de conhecimento e senso crítico.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à correção desse quadro, as questões socioculturais. Conforme Michel Foucault, há instituições que vigiam constantemente a população, moldando a conduta do meio social sem que essa possa saber se está ou não sendo monitorada. Isto é, parafraseando a teoria de Foucault, a mídia é uma dessas organizações que controlam frequentemente o seu público, sendo um meio de divulgação de informações tendenciosas que tem como finalidade manipular o pensamento e, consequentemente, as atitudes dos indivíduos no âmbito político-social, constituindo um empecilho que mantem a sociedade vítima da desinformação.

Convém ressaltar, em segundo plano, que a falta de base educacional é um fator determinante para a continuidade desse quadro. Para o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de um indivíduo determinam seu entendimento do mundo. Esse raciocínio justifica outro motivo do problema: a falta de acesso a informação confiável e imparcial faz com que o público da mídia sensacionalista não tenha meios de comparar as informações e formar sua própria opinião a partir do exercício do senso crítico. Um exemplo disso é a histeria e o pânico coletivo causado à população nas cidades grandes, fruto da veiculação excessiva de notícias sobre crimes violentos nos jornais da rede de TV aberta.

Entende-se, diante do exposto, a real necessidade de tomar medidas para mitigar esse problema. É fundamental, portanto, que o Estado, através de Órgãos públicos do Governo, como o Ministério da Justiça em parceira com a ANATEL, invista em políticas de fiscalização de informação, analisando a procedência das informações repassadas a população e criando uma espécie de selo de veracidade, que deve ser mostrado nas notícias para comprovar que a informação não foi distorcida. É possível, também, que o próprio indivíduo que consome esses conteúdos encarregue-se de analisar diversas fontes de informação, de preferências imparciais, para basear-se ao formar um opinião, como por exemplo: sites, fóruns, documentários, entre outros, pois desta forma diminui drasticamente as chances de ser manipulado pelo jornalismo sensacionalista, contribuindo para uma sociedade mais autocrítica e autônoma. Dessa maneira, o Brasil contribuirá para um jornalismo de melhor qualidade e confiança.