A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 17/08/2020
A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), durante a Era Vargas, culminou na divulgação de informações sensacionalistas afim de mobilizar o público brasileiro em prol da política vigente. Em paralelo a isso, hoje, tal modo de comunicação difundiu-se pelas diversas organizações midiáticas do Brasil. Infelizmente, devido a esse forte apelo por visibilidade de conteúdo, as consequências do sensacionalismo jornalístico se sintetizam: a alienação do público alvo.
Em princípio, vale ressaltar a relação antagônica entre reportagens de cunho denotativo e a exposição de assuntos de modo conotativo, afim de superar visualizações e índices de audiência. Nesse sentido, no ano de 2019, em meio a homenagens ao falecido apresentador “Gugu” Liberato, divulgou-se a cena de um jornalista, visivelmente emocionado, questionando dados do alcance do programa à produção. Apesar da baixa recorrência de erros como esse, é evidente que, tanto por meio de falas, quanto por meio de títulos sensacionalistas, o objetivo de muitas corporações em expor conteúdo de maneira referencial, objetiva e impessoal, se perde, e o viés da busca incessante pelo lucro da fama, da falta de sensibilidade e da inferiorização de pessoas em troca de visualização toma frente. Logo, o limite entre reportar e mobilizar nos meios de comunicação é facilmente ultrapassado por um ideal de visibilidade acima da moral da veridicidade.
Consequentemente, esse forte sensacionalismo jornalístico é responsável pela persuasão dos telespectadores. Dessa forma, sob a ótica do livro de 1984, de George Orwell, retrata-se uma sociedade distópica, onde o Ministério da Verdade - contraditoriamente denominado - atua de maneira a alterar reportagens e propagandas afim de convencer o público sobre quaisquer assuntos. De maneira análoga, essa situação de alienação imposta por meios de comunicação encontra-se presente no Brasil, uma vez que a subjetividade, as falas impactantes e o exagero exaltado tendem a moldar a visão de mundo da população em torno do que é requerido pelas empresas que lucram pela visibilidade. Assim, é pontual que o sensacionalismo jornalístico, além de perder sua função expositiva, impacta diretamente no senso crítico dos brasileiros.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas para conter a progressão dessa problemática. Portanto, cabe ao Ministério das Comunicações, em parceria com emissoras municipais, implantar propagandas que advertam a população sobre a presença do sensacionalismo em reportagens e dos seus efeitos. Assim, por meio da utilização dos meios de comunicação para a divulgação, será possível findar esse modo de alienação social, tanto devido a uma maior criticidade por parte do público alvo, quanto devido à conscientização de empresas que utilizem dos mesmos meios para suas estratégias sensacionalistas.