A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 02/10/2020
Desde o advento da popularização das grandes mídias, foi possível aumentar significativamente o potencial propagador e transmissor de informações, em escala global, as quais impactam diretamente na sociedade. Apesar dos meios de transmissão midiáticos serem responsáveis pela divulgação de notícias relevantes e fidedignas, tal fato destoa da realidade à medida que se verifica a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro, e provoca efeitos negativos, tanto na tentativa de incitar maior audiência, quanto na tenuidade da veracidade de fatos reproduzidos pela mídia.
Conforme o sociólogo Pierre Bordieu: “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão”. A respeito deste pensamento, é necessário destacar o papel dos rádios, televisão e Internet na população brasileira. Eles buscam tornar conhecimentos e notícias o mais difundidos possível, de forma a tornar estes recursos acessíveis à população. Contudo, o sensacionalismo jornalístico vai de encontro ao preceito de Bordieu, uma vez constatado presente caráter apelativo e precipitado destes textos nos tempos hodiernos, na tentativa da promoção de um maior engajamento.
Outrossim, destaca-se o comprometimento da veracidade das informações veiculadas como agravador do problema. De acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), os sensacionalismos se propagam 70% mais rápido que notícias verídicas na Internet. O resultado desta pesquisa do MIT revela consequências alarmantes para sociedade, visto que grande parte da população demonstra mais interesse em assuntos supostamente mais interessantes, e não necessariamente, mais autênticos. Dessa maneira, a desinformação pode predominar no cenário público, e influenciar diretamente no modo de vida da população, sem ao menos ser necessária a verificação de uma possível tenuidade de interpretação dos fatos.
Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas que solidifiquem políticas de combate à influência do sensacionalismo na sociedade brasileira. Logo, o Ministério dos Direitos Humanos deve, por meio de verbas públicas, investir na propagação de campanhas midiáticas que informem os cidadãos a respeito dos impactos causados pela proliferação de notícias demasiadamente emotivas e apelativas, as quais não devem receber tanta credibilidade, posto que um jornalista responsável entende seu papel social essencial informativo, bem como o caráter neutro e objetivo que ele deve conduzir os acontecimentos reportados. Assim, é possível reduzir os impactos causados pelo uso opressivo de recursos inicialmente postos como instrumentos de democracia direta, sem que existam brechas legislativas que possibilitem a justificativa de censura à imprensa.