A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 24/10/2020

O mito da caverna -idealizado pelo filósofo Platão- retrata a situação de indivíduos que vivem na ilusão, isto é, não conseguem compreender a própria realidade. Paralelo a isso, a evolução das tecnologias da informação e da comunicação (TICs), no século XXI, veio acompanhada de adversidades, como a manipulação da opinião pública e o aumento de notícias falsas. Dessarte, torna-se premente analisar tais fenômenos patológico, inerentes à era informacional hodierna, devido à presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

A princípio, é imperativo pontuar que o descartar que a Carta Magna, promulgada em 1988, assegura a liberdade de imprensa como um princípio jurídico inalienável. Todavia, constata-se que o uso indevido desse preceito legislativo conduz o jornalismo à manipulação de dados, fatos e informações com finalidades predeterminadas. Um exemplo disso se deu no período denominado “Estado Novo”, em que o presidente Getúlio Vargas utilizava a mídia como aparato de controle da opinião populacional, mediante restrição do que era veiculado, em jornais de relevância nacional como “Hora do Brasil”. Posto isso, é nítida a historicidade de conluio entre empresas jornalísticas e o governo, sobretudo, para manipular o pensamento dos cidadãos, o que vai de encontro com os postulados democráticos da lei.

Sob outro prisma, é válido averiguar que a ascensão das “fake news” agrava, significativamente, a problemática. Nesse sentido, a crescente publicação de notícias inverídicas, realizada por corporações midiáticas, tem como objetivo benefícios econômicos, sociais e políticos, valendo-se, geralmente, da depreciação ou do enaltecimento de figuras públicas e empresas. De maneira análoga, a eleição do Donald Trump, nos Estados Unidos, em 2016, foi marcada por informações falsas veiculadas a respeito de opositores políticos, o que o favoreceu como candidato beneficiário. Logo, é substancial que haja políticas públicas efetivas para contornar esse quadro nefasto.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências governamentais para mitigar o panorama atual. Portanto, compete ao Ministério das Comunicações- órgão responsável por regulamentar a imprensa- implementar um projeto nacional de fiscalização mais rígida de notícias e informações , veiculados por grandes empresas jornalísticas, tais como a Globo, Veja e Folha de São Paulo. Tal medida deve ser feita a partir da averiguação cautelosa e boicote às mídias infratoras, com o fito de romper com o paradigma das “fake news” e seus efeitos danosos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação (MEC) acrescentar uma disciplina específica de letramento digital nas escolas, por meio de projetos educativos que promovam a criticidade e a autonomia intelectual. Assim, será possível combater o sensacionalismo jornalístico em todas as esferas.