A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 31/10/2020
O famoso apresentador de jornal, Sikêra Júnior, atualmente à frente do Alerta Amazonas e Alerta Nacional, tem quadros e expressões muito específicas que, por vezes, geram humor e prendem a atenção do telespectador. Um de seus quadros, “CPF Cancelado”, por exemplo, consiste em comemorar com dança e música quando um “meliante” é morto. Tal normalização da violência está muito presente nos jornais brasileiros e traz graves consequências à sociedade. Com isso, faz-se pertinente analisar como esse fenômeno do sensacionalismo se dá nos meios de comunicação e uma de suas principais consequências: a crescente onda de “Fake News”.
É importante entender, de início, que o processo do sensacionalismo no jornalismo brasileiro ocorre pela espetacularização da informação. Isso acontece porque, atualmente, as informações são dadas como produtos, e a mídia se vê na obrigação de estar sempre em busca do maior “furo”, que vai gerar mais impacto nas pessoas e, consequentemente, ser mais lucrativo para ela. Segundo o jornalista José Arbex Júnior, existe uma fronteira entre a notícia e o espetáculo, que é constantemente ultrapassada pela imprensa e causa uma espécie de “Auschwitz do pensamento”, de modo que a opinião popular é moldada da forma que ela deseja, fenômeno intitulado por Arbex de “Showrnalismo”. Isso faz com que a notícia seja tratada como entretenimento ou ficção, e não como realidade.
Percebe-se, como consequência, que isso abre caminhos para que as “Fake News” se propaguem de maneira mais eficaz. Tal questão se dá porque ocorre uma naturalização da violência e do “absurdo”, o que faz com que publicações sem nexo, que podem, inclusive, entrarem em contradição com a ciência, sejam tratadas como algo plausível, haja vista que, segundo o Instituto Reuters, 60% dos brasileiros confiam nas notícias dadas pelas empresas de comunicação. Sendo assim, as pessoas tendem a não questionar os fatos ou as suas fontes, o que faz com que, de acordo com a empresa Kaspersky, 62% da população brasileira não consiga identificar uma informação falsa, gerando problemas para a sociedade como um todo.
Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas pra mitigar tal problemática. Para tanto, o Ministério das Comunicações (MCom) deve realizar um projeto de verificação das notícias veiculadas pelo jornalismo brasileiro. Isso se dará por meio da denúncia que os espectadores farão ao portal “Denúncia Já”, que será criado pelo MCom, a qualquer matéria tendenciosa, sensacionalista ou falsa, de modo a haver processos judiciais para os jornais que veicularem tais matérias. Dessa forma, jornais propagadores de discursos de ódio e notícias falsas, como o de Sikêra Júnior, passarão a realizar um jornalismo mais sério e ético.