A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 24/12/2020
Na obra “Consenso fabricado”, o filósofo americano Noam Chomsky assevera que a mídia, por meio dos diversos veículos de comunicação, promove a propagação de informações altamente selecionadas e direcionadas para controlar a opinião pública em assuntos condizentes aos interesses midiáticos. Essa asserção vincula-se à realidade que integra o cenário brasileiro, posto que o sensacionalismo no jornalismo permanece recorrente no Brasil. Diante disso, é indubitável que, além de apresentar raízes históricas, essa problemática sucita efeitos deletérios na sociedade, o que torna a sua erradicação demasiadamente imprescindível.
Nessa perspectiva, cumpre ressaltar que, conforme o historiador brasileiro Caio Prado Júnior, a melhor forma de compreender o Brasil contemporâneo é analisando os acontecimentos passados. Desse modo, sabe-se que, na década de 30, o então presidente Getúlio Vargas se apropriou de uma notícia sensacionalista para aplicar o golpe de estado e implantar uma ditatura, exercida num período famigerado Estado Novo. A partir desse fato, conclui-se que a presença do sensacionalismo transpõe-se décadas e encontra-se cada vez mais trivial no jornalismo brasileiro, o que não somente denota a utilização desse tipo de viés para angariar aumento da audiência pública, mas também para distorcer verdades e garantir o domínio em diversos âmbitos, como na política.
Destarde, a estagnaçaõ desse panorama, permeado pela vulgarização do sensacionalismo no jornalismo brasileiro, acarreta, por conseguinte, a eclosão de efeitos deletérios na sociedade brasileira. Nesse sentido, convém referir à obra “Crítica da Razão Pura”, na qual o filósofo Immanuel Kant alega que o esclarescimento configura-se como princial recurso que o ser humano dispõe para se desvencilhar de seu estado de “menoridade intelectual”- carência de autônomia sob o próprio intelecto. Ao relacionar tal assertiva com a predita problemática, constata-se que a veiculação de notícias sensacionalistas corrobora a privação do acesso a fatos verídicos e assume proporções cada vez mais desafiadoras, uma vez que, de acordo com os dados divulgados pelo Instituo Reunter, 60% dos brasileiros entrevistados afirmaram confiar, integralmete, nas informações midiáticas. Logo, o estado proposto por Kant mantém-se ordinário na população brasileira.
Portanto, diante do exposto, cabe ao Poder Executivo, em sinergia com o Poder Legistativo, suprimir a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro, por meio da efetivação e da fiscalização de políticas públicas que visem o controle de notícias sensacionalistas e modificadas, a fim de suprimir o controle da opinião pública por aparatos midiáticos e garantir o acesso ao esclarescimento pleno, tão defendido por Kant. Assim, a asserção de Chomsky se desvincula-rá da realidade do Brasil.