A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 08/01/2021

Disseminado na Inglaterra ainda no século XVIII, o iluminismo apregoava o desenvolvimento da ciência racionalista como forma de progresso de uma nação. Contudo, hodiernamente, a presença do sensacionalismo jornalístico no Brasil, tem impedido que a sociedade alcance tal progresso, visto que grande parte da população ainda possui como único meio de se manter informada, os jornais. Nesse sentido, pode-se analisar que tal problemática decorre da ausência de senso crítico por parte da população, bem como da negligência governamental, sendo necessário combate-las.

A princípio, na alegoria da caverna, Platão destaca que as ilusões aprisionam os homens na ignorância. Mormente, compreende-se que o desinteresse dos indivíduos para investigarem às noticias que recebem antes de passa-las adiante, tem sido a “caverna” da atualidade. Embora os princípios básicos do jornalismo sejam fundamentados na imparcialidade e objetividade, nem sempre isso ocorre na prática. Um exemplo onde a imparcialidade nem sempre é respeitada acontece no programa Brasil Urgente, da rede Bandeirantes, onde o apresentador, Datena, expressa livremente a sua opinião em rede aberta sobre diversas notícias, influenciando ativamente os indivíduos que o assistem. Por certo, esses telespectadores quando não optam por se informarem por outros veículos de comunicação, tendem a permanecerem na ilusão apontada pelo filósofo grego.

Além disso, sob a perspectiva de Norberto Bobbio, em sua obra “O Futuro da Democracia”, o filósofo pós-moderno atesta a existência de uma “Democracia Ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real” – a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, percebe-se a omissão do Estado frente à criação de medidas que influenciem a mídia a seguirem as regras do jogo democrático. Assegurado pelo Código de Ética, além da imparcialidade, todo jornalista deve prezar pela verdade, investigar ambos os lados e tratar todas as pessoas envolvidas na referida situação com respeito. O não cumprimento dessas pautas e a inserção do sensacionalismo, impedem o pleno exercício democrático, concretizando, de fato, a democracia caracterizada por Bobbio.

Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se mister a adoção de medidas que solucionem o impasse. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania garantir que os cidadãos brasileiros tenham acesso a noticias verídicas e imparciais. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados. Nele deve constar a obrigatoriedade da imparcialidade nos pequenos, médios e grandes veículos de informação e multas para os veículos que compartilharem noticias falsas, respeitando sempre o direito a liberdade de expressão, a fim de garantir que os telespectadores formem suas opiniões apenas com fatos. Além disso, é de suma importância que os cidadãos procurem múltiplos canais de comunicação, para diversificarem seus repertórios e não se aterem ao senso comum.