A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 12/01/2021

Em seu livro “Utopia”, Thomas More imagina uma sociedade esclarecida, em que todos são capazes de participar ativamente de um processo transformador de conscientização. Diante disso, é lícito afirmar que, no que concerne à confiança na mídia, o Brasil está distante do ideal de More, pois o país ignora medidas que, potencialmente, minimizariam a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Assim sendo, faz-se mister desvendar as origens legislativas e analisar as consequências constitucionais dessa problemática, a fim de propor caminhos para combatê-la.

Em primeira instância, é fulcral ressaltar a insuficiência legislativa como perpetuadora desse cenário deletério. Segundo Aristóteles, a política tem a função de preservar o bem-estar coletivo entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, diferentemente do pressuposto do filósofo grego, isso não ocorre no Brasil, visto que a falta de atuação estatal acerca da criação de leis que coíbam a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro - fiscalizando a cobertura jornalística, por exemplo - permite que esse quadro seja uma realidade contundente no país. Logo, para aproximar-se do pressuposto de Aristóteles, a passividade do governo deve ser superada.

Ademais, convém salientar que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro está diretamente relacionada à busca por audiência em seu sentido original. Nessa lógica, indivíduos que confiam na mídia podem encarar desafios nocivos, como a parcialidade, a subjetividade e a mentira na cobertura jornalística, fenômenos que estão em desacordo com os preceitos da Carta Magna brasileira. Conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito à memória e à verdade, o que destoa da realidade do Brasil, uma vez que, de acordo com o site de notícias G1, uma em cada nove reportagens sofre de sensacionalismo no país. Portanto, evidencia-se a necessidade de enfrentamento desse problema, de modo a cumprir a Lei Maior.

Assim, para combater a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro, o Estado deve criar novas leis. Tal efeito pode ser alcançado por meio de um plano intitulado “Sensacionalismo Zero“, tendo como objetivo fiscalizar a cobertura jornalística, assegurando a preocupação e todos os fundamentos jornalísticos de imparcialidade, de objetividade e de verdade, o que mitigaria o impacto nocivo do problema, e, consequentemente, garantiria a confiança na mídia em escala nacional. Dessa forma, criar-se-á uma sociedade esclarecida, tal qual ocorre no ideal de More.