A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 22/03/2021

Hipérbole é uma figura de linguagem, responsável por exagerar expressões e provar marcas de excesso nas frases. Evoca atenção, o uso simbólico desse recurso linguístico para designar a emotividade do escritor, vítima do exagero poético e ator da própria realidade. Logo, ainda tangente a essa norma, o sensacionalismo no Jornal brasileiro é reflexo do uso hiperbólico para informação, e isso é explicado pelos anseios mercadológicos em digerir pesquisas e pela devoção suprema às emoções do público, essências que obstruem a informação.

A princípio, a necessidade excelsa em produzir e divulgar informes gera meios de comunicação programados para espelhar mentiras e fatos não ratificados. Tal acepção orquestrou com o ´´Plano Cohen´´, no governo de Getúlio Vargas, que filosofava uma falsa invasão comunista no país, para isso, o presidente imobilizou o Golpe de Estado. Nesse viés, as rígidas exigências advindas tanto do público, quanto das instituições jornalísticas obriga muitos redatores brasileiros a não selecionarem as informações e privarem somente a quantidade de fatos para manchete. Sobre isso, a recorrência do sensacionalismo é manipulada, pois títulos e capas com um sedento apelo emotivo gera mais leitura do que um humilde trecho coerente com a verdade. Desse modo, o atalho em usar mentiras para polemizar e provocar a atenção pública deslegitima a função dos jornais.

Outrossim, o efeito de instigar o caráter sádico dos usuários, além de suas meras emoções, evidencia a fragilidade informativa dos meios de comunicação. Esse particular dialoga com o ´´Mundo dos Sentidos´´, teoria contemplada pelo filósofo Platão para revisar a realidade das ideias contra os sentidos, os últimos derivam as falsas emoções. Nesse peculiar, a frequente tríada do jornal brasileiro, escândalo-sexo-sangue, é uma manobra para ocultar a necessidade da população pelos informes e evocar somente as sensações dessa. Em vista disso, o gênero jornalístico é moldado ao espetáculo, os casos são romanceados e os entrevistados são transformados em personagens de narrativa, tudo isso para suprimir a informação. Em suma, a necessidade do realismo nesse meio deve ser exigida.

Portanto, compete aos agentes sociais revisar o conteúdo transmitidos nos jornais brasileiros. Para isso, o Ministério da Educação deve publicitar aparatos de vigilância nos meios informativos, mediante verbas estatais, pois identificarão falsidades na manchete, com fins na harmonia da comunicação. Enquanto às prefeituras, propõe-se a projeção de enquetes e anúncios nas redes sociais, por meio das mídias, posto que revelarão a opinião do público, a fim de retornar ao caráter verídico e essencial do jornalismo. Somente assim, as hipérboles jornalísticas serão suprimidas para devolver a formalidade e seriedade aos jornais brasileiros.