A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 03/05/2021

Durante a Segunda Guerra Mundial, evento de peso histórico e cultural, o Departamento Alemão de Propaganda expandiu o uso midiático para fins impositivos, o que resultava na alienação e controle das massas. Nesse sentido, há uma relação de permanência entre a atualidade e esse período datado, haja vista a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Dessa forma, a manipulação promovida pelos meios comunicativos é força motriz da acriticidade e, consequentemente, de um preocupante panorama.

Vale destacar, preliminarmente, a coersão publicitária como causa crítica da problemática. Sob essa óptica, a elaboração da Constituição Federativa, há 32 anos, baseou-se na garantia irrestrita da liberdade de pensamento. Entretanto, percebe-se que a teoria diverge da realidade concreta, uma vez que dados da Universidade de Oxford indicam que 6 a cada 10 brasileiros confiam plenamente em notícias televisivas, marcadas, muitas vezes, por parcialidade e polarização.  Tal panorama, portanto, limita a autonomia e o saber humano e, por isso, deve ser eficazmente alterado.

Ademais, a redução da resposta crítica e inteligível é um grave produto da conjuntura.  Nessa perspectiva, a socióloga alemã Hannah Arendt, em sua teoria de ‘‘Banalidade do Mal’’, indica a presença de sensacionalismo na abordagem informativa como promotora da normalização de situações absurdas. Assim sendo, crimes violentos e contextos revoltantes perdem o impacto na vida prática com a exposição excessiva. Por essa via, nota-se a   crescente conformação generalizada acerca de pautas diversas.

Logo, medidas devem ser aplicadas para vencer os impasses. Para que isso ocorra, compete ao Ministério das Comunicações lançar campanhas de alerta e informe, por meio de parcerias com mídias rádio-televisivas. Por sua vez, a colaboração deve garantir a circulação semanal de propagandas que eduquem a população a não confiar em um único veículo de notícias e a interpretar os acontecimentos racionalmente, a fim de diluir o jornalismo sensacionalista. Dessa maneira, a manipulação da coletividade há de se limitar ao passado distante da Segunda Guerra.