A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 26/08/2021
“Mas qualquer canto é menor que a vida de qualquer pessoa […]”. Esse trecho recortado da canção- também denúncia social- “Como nossos pais”, de autoria de Belchior, retrata a coisificação do ser humano durante a ditadura militar. De igual modo, uma sociedade globalizada ainda não tem respeitado a privacidade do outro, tratando-o como um objeto, com a preocupação de que pode falar o que bem quiser. Assim, a liberdade de expressão, bem como a privacidade contida no jornalismo contém bastante sensacionalismo decorrente dela são impedimentos à harmonia social, os quais ocorrem devido não só à censura, mas também em razão da falta de percepção pura com os direitos assegurados.
A cantora Elis Regina, ao interpretar a música “O Bêbado e o Equilibrista”, critica o contexto cerceador da liberdade da sua época, quando as pessoas precisavam agir com a cautela de quem se equilibra em uma corda bamba para não expressarem visões de mundo contrárias às propagadas pelo Estado. Semelhante à canção, nos entrementes, das atualizações presidenciais de 2018, no Brasil, o capoeirista Moa do Katendé foi assassinado a facadas após relatar suas preferenciais partidárias. Lamentavelmente, as pessoas estão perdendo a capacidade de ver o outro como um ser humano. Percebe-se dessa forma, que o pensamento de coisificação durante a ditadura ainda permanece.
Subsequentemente, ignorar a liberdade, como também o direito de expressão é crime, fundamentalmente, porque fere o Artigo 5 ° da Constituição Federal. Paralelamente, as pessoas perderam a capacidade de respeitar a opinião do outro e de ser capaz de refletir sobre as divergências políticas, proteger ou sociais e passar a excluir do convívio, ou romper ligações interpessoais por não concordarem com algo, regredindo, dessa maneira, ao estado de natureza proposto pelo filósofo contratualista John Locke, em que se tinha a ausência de direitos inalienáveis como a liberdade e a vida.
É imprescindível, portanto, que associado com a criminalização adequada do opressor, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, junto aos Direitos Humanos, crie um aplicativo que tenha questionários e depoimentos de pessoas que possuem o direito à privacidade violado, além de ser desenvolvido nas comunidades e escolas um projeto com debates e palestras a respeito da liberdade de expressão e os seus direitos. A fim de que a comunidade tenha conhecimento dos seus direitos e exigir exigir do Estado o cumprimento efetivo para que outros “Moa do Katendé”, relatar suas opiniões sem restrições, pois a sua vida vale mais que qualquer canto.