A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 22/09/2021
A dominação midiática configura comportamentos em massa, haja vista a ascensão de regimes totalitários que, na primeira metade do século XX, a partir de uma intensa propaganda doutrinavam ideologicamente a população. Paralelamente a essa realidade, com o advento do fenômeno da globalização, milhões de pessoas são influenciadas e, até mesmo, manipuladas, todos os dias pelo meio audiovisual. Nesse contexto, o sensacionalismo jornalístico influencia direta e negativamente a sociedade brasileira, uma vez que espetaculariza a violência e, não apenas, afeta a psique do cidadãos, como também, contribui para a criminalização da pobreza.
Em primeiro plano, cabe mencionar que, de acordo com o filósofo Guy Debord, atualmente sustenta-se uma “sociedade do espetáculo”, na qual, mediada por imagens, o espetáculo mostra-se como uma relação social e interpessoal. Como consequência, o jornalismo sensacionalista gera a espetacularização da violência, associando-a, equivocadamente, ao entreterimento, transformando-a em um show e propagando a banalidade dessa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as notícias afetam a saúde mental da população e os panoramas consumidos diariamente têm impacto direto nos pensamentos, comportamentos e emoções do cidadão. Sendo assim, compreendendo a imagem como produção total da realidade, existe a necessidadede se manter informado, mas sem que essa informação gere o abalo físico, emocional e mental de quem a consome.
Ademais, vale ressaltar que, conforme desenvolve o pensador Theodor Adorno, a partir do conceito de “indústria cultural”, a dominação da imagem presume o controle de pessoas, posto que a determinação da realidade se dá por meio dos recursos audiovisuais. Dessa maneira, assim como na Europa do século XX - na condição em que os regimes totalitaristas, com o intuito de torná-la adepta a seus ideais, geravam sentimentos de ódio e medo na população por meio de propagandas ideológicas -, o sensacionalismo midiático favorece a criminalização da pobreza, já que em sua quase totalidade os casos noticiados apresentam a população pobre e negra como criminosa, contribuindo para a disseminação do medo e reafirmando preconceitos estruturais.
Diante do exposto, conclui-se que medidas são necessárias para conter o jornalismo sensacionalista, com vistas a garantir a saúde mental da população e, ainda, inibir a reprodução de discriminações sociais. Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, deve criar um plano nacional que visa a estimular a produção de conhecimento que contribua para a qualidade de vida dos brasileiros, ao mesmo tempo elucidando a população quanto ao malefícios do consumo impensado de notícias com viés sensacionalista. Dessa maneira, amenizar-se-ia a problemática de forma precisa.