A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 20/09/2021
A obra cinematográfica ‘’Show de Truman’’ apresenta a história de um homem que teve toda sua vida televisionada em um reality show para o mundo inteiro; assim, Truman acredita e aceita sua realidade de mundo tal qual ela é apresentada, não tendo acesso, portanto, à uma vida autêntica. Hodiernamente, mesmo longe das telas do cinema, é indubitável que a imprensa vêm tornando suas manchetes cada vez mais chamativas, à medida em que a informação responsável tem ficado em segundo plano, comprometendo o conhecimento da realidade da população. Sendo assim, é notório que a presença de um jornalismo sensacionalista compromete a responsabilidade fulcral dos veículos de comunicação: a educação informal.
Primeiramente, a divulgação de determinadas informações esbarra no interesse de parte desses veículos. Segundo o filósofo Michel Foucault, o poder também está nas instituições. Logo, uma vez que poucos grupos controlam a grande fatia do mercado jornalístico, há uma interferência crucial nas redações, que deixam de noticiar ou expõem demasiadamente certos tipos de tópicos da contemporaneidade; e assim, engendrando e limitando o senso comunitário de notícias atuais em razão de temáticas chamativas. Sob esse ponto de vista, há uma ruptura no dever comunicativo e social do jornalismo, que cria equívocos na forma de leitura de mundo que a sociedade faz.
Consequentemente, na busca por manchetes, muitos veículos faltam com ética e ignoram sua responsabilidade social. A título de exemplo, em 2020 o programa ‘’Cidade Alerta’’ - da emissora RecordTV - comunicou ao vivo à mãe de uma jovem desaparecida que sua filha havia sido vítima de um feminicídio. O fato foi notificado de forma inconsequente no jornal sensacionalista, demonstrando apenas uma das milhares de notícias que chegam a público de forma imprudente, sem respeitar os envolvidos - mesmo após a sua morte - e não classificado, portanto, como um jornalismo comprometido com o tecido social. Diante disso, faz-se categórico a adoção de intervenções que proporcionem veículos comunicativos competentes e prudentes com suas publicações.
Destarte, a fim da sociedade não imergir em uma situação semelhante ao exposto em ‘’Show de Truman’’, medidas eficientes devem ser tomadas. O Poder Legislativo - órgão responsável pela criação de leis - deve sancionar uma regulamentação que proíba a imprensa de exibir notícias de forma sensacionalista. Tal ação deve ser feita por meio da mobilização do Congresso em deliberar com representantes de todas as mídias, com o ônus de criar uma legislação que promova responsabilidade na execução de uma manchete para que o jornalismo brasileiro cumpra seu papel na educação informal e informacional de sua nação.