A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 23/09/2021

O teórico em comunicação George Gerbner defende que o estilo de notícias propagadas ajudam a moldar a visão de mundo dos indivíduos. Dessa forma, a presença do sensacionalismo na imprensa brasileira é um elemento preocupante, pois os fatos noticiados são, geralmente, referentes a violências extremas, contribuindo com uma percepção individual de insegurança e horror a todo tempo, como teorizou Gerbner. Em suma, tal abordagem é significativa para analisar aspectos do cotidiano dos cidadãos, porque refletem uma tendência moderna, e sua existência não é vã, embora seja nefasta.

Nesse contexto, desde a expansão da internet, a forma de divulgação de fatos foi alterada radicalmen-te, a urgência das redes sociais e a liberdade indiscriminada para procurar as próprias informações criaram uma ilusão, porque, como defendeu Umberto Eco, informação não é conhecimento, e liberdade é um peso constante, segundo Sartre. Ademais, Michiko Kakutani, em “A morte da verdade”, defende que a forma de propagar ideias no século XXI é pautada no sentimentalismo, de forma a gerar choque e comoção, enfraquecendo a “verdade” como a conhecemos. Ainda, Kakutani afirma que essa forma descompromissada e urgente de apurar informações põe em risco as democracias, e esse fenômeno é endossado no Brasil pelo não requerimento de diplomas na área de jornalismo para exercer a profissão desde 2009. Nesse sentido, desinformação, histeria e irrealidade são efeitos previsíveis da credibilidade ilimitada da população brasileira que, segundo estudo de Oxford, se informa majoritariamente por meios de comunicação, que misturam fatos incompletos e entretenimento barato.

Em contrapartida, o espírito “neutro” do brasileiro, desinteressado por assuntos políticos, econômicos e sociais em profundidade, conforme o Frei Vicente de Salvador analisou, “nenhum homem aqui é repú-blico ou zela pelo bem comum, senão cada um pelo bem particular”, requereu um esforço extra dos jor-nais para arrancá-lo dessa apatia. Todavia, isso não corrige o problema, visto que a maioria das man-chetes propagadas envolvem crimes tenebrosos, gerando pânico, a exemplo de “noticiários” populares, como o “Brasil urgente” e o “Cidade alerta”, os quais já trazem a emoção no título. Mesmo veículos importantes de informação cometem erros, como a reportagem do G1 de 2020, que alegou aumento de 500% de contaminados com a Covid-19, mas o número representava algumas unidades apenas.

Portanto, diante dos argumentos citados, compete ao ministério da educação, em parceria com os canais de informação, criar medidas para garantir um jornalismo eficiente e responsável, por meio da divulgação nas TDICs de sites confiáveis e de páginas com críticas construtivas a determinadas reportagens, com dados que destoem dos apresentados,  utilizando narrativas atraentes e acessíveis ao grande público, de modo a restabelecer o pacto com a verdade e, por extensão, com a democracia.