A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 07/10/2021
O “Caso Evandro” é uma série documental que retrata o desaparecimento de uma criança nos anos 90 e o impacto da mídia na criação de um enredo sobre as acusadas, chamando-as repetidamente de “bruxas de Guaratuba” e afirmando repetitivamente que houve um ritual de magia negra, fazendo uma cobertura imparcial do caso para prender a atenção do público que acompanhava a decorrer da história. Tal prática, realizada para atrair mais espectadores, é feita frequentemente no país por sites, emissoras e jornais, os quais visam o lucro e a audiência acima da verdade e da imparcialidade. Desse modo, é fundamental que o sensacionalismo midiático seja combatido no jornalismo brasileiro, mantendo-se transparente com o público e não comprometendo enganosamente as pessoas envolvidas nas histórias retratadas.
Primeiramente, é perceptível como existe no Brasil um fenômeno de criar notícias extremamente apelativas e parciais. Nesse âmbito, a veiculação diária de programas televisivos como o “Cidade Alerta” e “Balanço Geral”, que se utilizam de apresentadores que expressam suas opiniões de forma agressiva, julgando os casos ao vivo e incitam o ódio da população, que passa a ter uma reação automática violenta, mesmo não tendo provas concretas que justifiquem esse sentimento. Sendo assim, muitas pessoas inocentes podem ser vítimas da “justiça com as próprias mãos” indevidamente, tornando-se alvos de calúnia, ameaças, agressões e até assassinatos.
Além disso, a busca por uma cobertura jornalística inédita e até mesmo o envolvimento de repórteres nos casos podem comprometer a ação das forças policiais e a realização da justiça. Nesse sentido, a apresentadora Sônia Abraão fez uma ligação ao vivo para o sequestrador de Eloá, conversando com o mesmo na TV aberta, caso que teve um final trágico com a morte da vítima, o que marcou muitos os brasileiros, pois grande parte da ocorrência foi transmitida simultâneamente para os telespectadores. Logo, não há limites para que muitos jornalistas e grupos midiáticos consiga o máximo nível de audiência enquanto não houver a responsabilização jurídica dos mesmos.
Portanto, ações para impedir a propagação de notícias sensacionalistas devem ser realizadas. Para tanto, cabe ao Ministério Público entrar com ações judiciais contra os responsáveis pela veiculação de reportagens apelativas e inverídicas ou que possam comprometer investigações policiais com o intuito de que haja a penalização adequada dos envolvidos e, assim, fazer com que essa prática não se repita.