A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 21/03/2022

No livro 1984, George Orwell destrincha como a mídia pode ser uma forma de controle. Por meio de uma escrita instigante, o autor analisa como jornais podem ser usados para propagação de informações errôneas e, por conseguinte, a fromação de uma sociedade alienada. Fora da ficção, é possível notar como o sensacionalismo nos jornais do Brasil tem um papel significativo na construção de uma comunidade desinformada, sem contar a grande recorrência de “fake news”. Sob tal óptica, esse cenário favorece a edificação de uma alienação em relação ao que está realmente acontecendo e a formação de uma visão singular sobre algo ou alguém, realidade que torna uma sociedade facilmente monipulável.

De acordo com o Art. 14, inc. III do Código de ética, o jornalismo deve se fundamentar na imparcialidade, objetividade e sempre buscar mostrar todos os detalhes acerca de um tema ou acontecimento específico. Nesse sentido, o descomprometimento com a essência dos jornais vem se tornando mais recorrente, realidade que vem gerando um impacto na mentalidade e ações de grande parte da população brasileira. Conforme pesquisa feita pelo Instituto Reuters, 60% dos entrevistados no Brasil confiam nas notícias veiculadas pelas empresas de comunicação.

Outrossim, vale ressaltar que a crise de uma interpretação analítica e desenvolvimento de um censo crítico interferem no efeito que esse sensacionalismo pode vir a ter no decorrer do tempo. Nesse viés, esse mecanismo é usado como forma de manipulção e controle do que chega ou não ao acesso dos cidadãos brasileiros. Essas estratégias sempre foram usadas, mas se tornaram mais frequentes na atualidade, isso fica claro se analisarmos a eleição presidencial do Brasil no ano de 2018 e o papel que as “fake news” tiveram para o controle da opinião pública com o fito de atingir a vitória eleitoral de certo grupo.

Em suma, é de extrema importância que a população seja conscientizada sobre o conceito de sencionalismo e como a sua apliacação nos jornais podem afetar o desenrolar de sua nação. Para tanto, seria interessante a realização de debates e palestras acerca do tema em instituições escolares e áreas públicas. Esse projeto poderia ser feito em conjunto com o Ministério da Educação (MEC) e ONGs que atuam na área com o fim de desevolver o censo crítico e ensinar como se deve ler um jornal tendo em vista que ele apresenta apenas um ponto de vista sobre uma temática. Com a firmação dessas ações, narrativas como a feita por Orwell não seriam mais possíveis de relacionar com a realidade tão vividamente.