A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 17/11/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete a escassez de honestidade, ética e objetividade na produção de notícias, assim evidenciando uma grave mazela social, pois ela deturpa a harmonia comunitária. Portanto, é mister anuir que a difusão da tendenciosidade entre os jornalistas, adjunto a influência do sistema capitalista, são as razões para cristalização da revés na sociedade.
Em primeira instância, é fulcral assentir que o quadro contemporâneo, o qual é caracterizado pela carência de impessoalidade na elaboração de notícias, ocorre em razão da prática de sensacionalismo entre os noticiários, afim de obter engajamento e lucro com as informações tendenciosas, embora não seja ético, além de distorcer os fatos. Logo, é exposto um caráter tendencioso dos produtores e a busca exacerbada por lucro com a ausência de objetividade e veracidade nesse âmbito. Nesse contexto, é notória a semelhança da situação atual com a “Modernidade Líquida”, descrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman como uma sociedade lauta de individualismo, superficial e com seus princípios sociais invertidos, haja vista que as pessoas se tornam mais egoístas e banais. Dessa maneira, deturpando a autenticidade das matérias e os valores éticos e morais, bem como o bem-estar coletivo.
Em segunda análise, urge ratificar que o sistema capitalista possui alta responsabilidade no cenário vigente, tendo em vista que a sua consolidação no corpo social concebeu uma alteração nos princípios coletivos, dessa forma colocando a busca por dinheiro como prioridade, enquanto valores morais e éticos são atenuados. Sob essa óptica, é imperativo aferir que a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro é o resultado da interferência da ideologia capitalista impulsionada pela Indústria Cultural, visto que os filósofos Adorno e Horkheimer propõem que a existência desse meio comunitário fez com que o processo de produção visasse o lucro e o consumo para a grande massa. Destarte, é verídica a responsabilidade desse sistema na perpetuação desse panorama abjeto.
Dessarte, para evitar uma conjuntura semelhante ao século XVII, a qual era severamente crítica por Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova uma reforma no jornalismo brasileiro, eliminando o sensacionalismo, assim garantindo objetividade e veracidade na produção das notícias, por meio de uma parceria com os recursos midiáticos, atuando em conjunto para garantir a ética e a impessoalidade nesse cenário. Desse modo, eliminando os valores errôneos, a influencia do capitalismo e corroborando o bem-estar social.