A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.
Enviada em 17/11/2021
Com o fenômeno da internet, as notícias se espalham de modo cada vez mais rápido. Todavia, se por um lado isso facilita a comunicação, por outro, se utilizada de modo indevido, favorece também o sensacionalismo, sobretudo no meio jornalístico, o que prejudica a qualidade das informações fornecidas à população. Dessa forma, dois fatores devem ser analisados: a espetacularização da vida e o estímulo à perpetuação de preconceitos.
A priori, é importante ressaltar o quanto a espetacularização da vida incentiva a presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro. Isso ocorre porque, de acordo com o escritor Guy Debord, a sociedade contemporânea é marcada pela necessidade de “ser vista”, de ser sempre protagonista de um espetáculo. Constata-se essa realidade por meio de uma reportagem feita pelo programa “Cidade Alerta”, na qual o jornalista Luiz Bacci noticiou ao vivo para uma mãe, que a filha dela - até então desaparecida - havia sido encontrada morta. Isto é, independentemente das circunstâncias, boa parte do jornalismo nacional visa apenas a audiência, ou seja, o espetáculo se sobrepõe à responsabilidade social e ao profissionalismo.
Outrossim, o estímulo ao fortalecimento de estereótipos é mais um agravante para essa celeuma. Um exemplo disso é observado por meio de matéria divulgada pelo programa “Brasil Urgente”, no qual o apresentador pede para que a produção consulte a placa de uma moto que está circulando ao lado de um baile funk. Diante desse contexto, mesmo após a equipe confirmar que a moto não é roubada, Datena insiste “então a placa deve ser clonada”. Nesse âmbito, nota-se que há a perpetuação da ideia de que se está em um baile funk é criminoso, isto é, ao invés de existir a desconstrução de preconceitos, estes são fortalecidos pela presença do sensacionalismo jornalístico no país.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater a sociedade do espetáculo vigente na mídia brasileira. Para isso, cabe à Federação Nacional dos Jornalistas elaborar um projeto sobre a importância de coibir o sensacionalismo. Isso deve ser feito por meio de cursos gratuitos e online, os quais devem abordar a questão da ética na profissão,com intermédio de palestras curtas e rodas de conversa, a fim de evitar que a busca por visibilidade se sobreponha em detrimento do respeito ao próximo. Em seguida, o Ministério da Justiça deve fiscalizar, por meio da disponibilização de disque denúncia anônimo, a presença de jornalismos que reforcem estereótipos, para que os apresentadores sejam punidos, tanto com multa quanto com a suspensão dos programas jornalísticos, a fim de reduzir o incentivo ao preconceito. Dessa maneira, a veiculação de notícias acontecerá de forma qualitativa, justa e respeitosa para com os cidadãos da nação “Verde-Amarela”.