A presença do sensacionalismo no jornalismo brasileiro.

Enviada em 01/11/2024

No filme “O Abutre”, o protagonista, que trabalha como cinegrafista, explora tragédias para capturar imagens chocantes e lucrativas. O filme explora até onde uma pessoa iria para conseguir uma história fantástica. Fora da ficção, o sensacionalismo no jornalismo, na realidade, se assemelha a longa-metragem, pois usa do silenciamento midiático e da banalidade do mal para promover a manutenção da hiperdramatização.

Conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia, jamais deverá ser convertido em instrumento de opressão. Nesse sentido, observa-se que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação dos telespectadores, infelizmente, omitem partes importantes que contribui para a falta de consciência crítica do público. Consequentemente, abre espaço para que narrativas sensacionalistas ganhem destaque. Visto que, excluem violações de direitos e problemas mais complexos, para dar visibilidade a assuntos que geram maior audiência, como escândalos e cenas chocantes. Isso ocorre porque como estão inseridos em um ambiete competitivo, os jornalistas sempre irão visar o lucro.

Ademais, de acordo com o conceito de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arent, quando uma atitude hostil ocorre repetidamente, a sociedade passa a ve-lâ como banal, isso evidencia a normalização da exploração midiática. Uma vez que, jornalistas e editores favorecem essa prática sem nenhuma reflexão ética, já que faz parte da lógica de mercado e é só um trabalho que precisa ser realizado. No entanto, não pensam nas consequências que isso pode gerar. Dessa forma, perpetuam esteriótipos e silenciam vozes críticas sobre assuntos realmente importantes, como a questão racial, em prol do sucesso comercial.

Portanto, cabe ao Governo instituir parcerias público-privadas, oferecendo isenção de impostos para grandes empresas como o “Youtube”. Essa ação se dará por meio de campanhas informativas, promovidas pelas empresas, sobre o impacto do sensacionalismo no jornalismo, o que tem o intuito de remediar o silenciamento midiático, a banalidade do mal e futuramente, reduzir o número de notícias alarmistas no Brasil.