A proteção de dados cibernéticos no Brasil.

Enviada em 22/10/2020

Durante o século XX, os avanços tecnológicos revolucionaram de maneira irreversível o fluxo das batalhas armadas, com a invenção de tecnologias de comunicação a longa distância, vigilância e radar, tornou-se claro que a coleta de dados é o aspecto mais importante da guerra. Analogamente, o elemento mais cobiçado pelas grandes empresas, na busca de uma experiência personalizada para cada cliente, são dados pessoais. Portanto, diante do cenário que se encontra o mercado virtual, é possível inferir que os maiores perigos ao usuário são a facilidade de vazamento dessas informações e o dano que se pode causar ao usuário quando em posse desses dados.

Primeiramente, é necessário ressaltar a fragilidade dos sistemas de bancos de dados no Brasil e o quão fácil é obter informações pessoais ilicitamente por meio de hacking ou meios similares. Assim, é possível observar esse fato na ação de hackers que revelam falhas no sistema de empresa em troca de remuneração, chamados de “white hats”, como evidenciado no relato do CEO da empresa BugHunt ao site Tecmundo, em que foram relatados mais de 350 erros de segurança em grandes empresas brasileiras. Além disso, segundo a mesma matéria a plataforma de segurança online Kaspersky relatou um aumento de 333% em ataques direcionados a plataformas de acesso remoto. Logo, é evidente a deficiência dos sistemas de segurança das empresas que contem dados de usuários.

Após isso, é importante pontuar os possíveis danos causados ao usuário por meio do uso de suas informações pessoais e o impacto na sua vida e nas atividades das empresas. Dessa forma, os impactos desses vazamentos é evidenciado na pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, em que é revelado que o numero de cartões clonados em 2019 foi de quase 3,6 milhões, fenômeno que pode levar a pessoa a grandes danos financeiros. Além disso, segundo pesquisa da IBM Security, em 2020, o dano causado por um vazamento de dados é de quase R$6 milhões. Dessa forma, conclui-se que o vazamento de dados pessoais causa enormes danos financeiros tanto aos usuários quanto às empresas.

Em suma, a violação da privacidade cibernética afeta as pessoas pela fragilidade dos sistemas de segurança virtual e pelos possíveis danos morais e financeiros causados aos envolvidos. Sendo assim, para combater o vazamento de dados pessoais e o dano causado por ele, é necessário a implantação de leis por parte do Ministério das Comunicações que impedem a distribuição desses dados por parte das empresas e impõem multas às empresas que sofrem vazamentos de dados de usuários em larga escala, com o objetivo de aumentar as preocupações das empresas com a privacidade dos seus usuários e impedir que os tratem como uma forma de mercadoria.