A proteção de dados cibernéticos no Brasil.
Enviada em 21/10/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os problemas na proteção de dados cibernéticos torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Assim, seja pela desinformação, seja pela negligência governamental, o problema permanece e exige melhorias urgentes.
É válido ressaltar, a princípio, que o desinteresse do Estado é umas das principais causas do problema em questão. Isso porque, é sabido que a privacidade é um direito da população, previsto na Constituição, e, mesmo assim, boa parte dos cidadãos tem seus dados pessoais vazados. Com isso, percebe-se a ocorrência da “Cidadania de papel”, termo cunhado por Gilberto Dimenstein, que diz respeito à existência de direitos na teoria, os quais, na prática, não são cumpridos. Desse modo, é notório que o cenário requer análises imediatas para que seja solucionado.
Ademais, é importante salientar que o entrave é agravado pela a falta de compartilhamento de informações sobre o assunto. Embora a esmagadora maioria dos pais se preocupe com as ameaças que seus filhos podem sofrer na internet, o tempo que eles dedicam para debater a respeito do tema com as crianças é mínimo. Segundo estudos da empresa internacional de cibersegurança Kaspersky, os pais conversam com seus filhos sobre segurança na internet por menos de 50 minutos, durante toda a infância. Desse modo, é claro que a situação é grave e exige soluções.
Logo, visando solucionar tal problemática, a mídia - grande difusora de informação e formadora de opinião - deve expandir os conhecimentos dos cidadãos a respeito desse tema, por meio da realização de debates que retratem a importância da segurança cibernética, que devem ser transmitidos em canais televisivos de grande audiência, internet e outras tecnologias de comunicação, com o intuito de alcançar toda a população. Apenas assim, notar-se-á um país mais próximo do imaginado por Policarpo Quaresma.