A proteção de dados cibernéticos no Brasil.
Enviada em 21/10/2020
Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, já discutia sobre o paradoxo entre a liberdade e a segurança. Para ele, o ser humano, em seu estado de natureza, era dotado de autonomia, porém não havia garantias de sobrevivência. Do mesmo modo, o cenário tecnológico atual permite aos usuários o acesso à diversas ferramentas virtuais e armazenamento de dados, entretanto, a falta de proteção das informações cibernéticas representa uma ameaça para a população brasileira. Visto isso, tal realidade constitui um desafio a ser resolvido não só pelos poderes públicos, como também pela sociedade.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das novas tecnologias, internautas estão cada vez mais expostos a uma gama ilimitada de aplicativos e sites que, muitas vezes, diferente de suas características aparentes, podem representar ferramentas para “hackers”. Nesse contexto, de acordo com a dialética do esclarecimento de Adorno e Horkheimer, percebe-se que a internet pode ser usada para o bem e para o mal. Isso porque, possibilitou não só a interação de pessoas, aumento do fluxo de informações e a flexibilização econômica, como também abriu portas para a invasão de sistemas, roubo de documentos e transferências econômicas ilegais.
Outrossim, vale ressaltar que o desconhecimento dos perigos da internet contribui na persistência da situação. Embora os dados do IBGE mostrem a relevância do conhecimento sobre a tecnologia no país, não há uma preocupação na formação de jovens conscientes das ameaças enfrentadas nesse novo cenário; já que as escolas brasileiras, em sua maioria, não têm uma formação tecnológica na grade curricular. Logo, a sociedade é facilmente vítima de invasão e manipulação de dados, visto que ela não é consciente dos perigos existentes. Por conseguinte, as grandes empresas utilizam essas informações para traçar a personalidade e o modo de consumo das pessoas.
Infere-se, portanto, que a falta de segurança das informações cibernéticas possui íntima relação com a esfera pública e social. Em vista disso, é necessário que o Poder Legislativo atualize a legislação vigente, mediante a criação de penas específicas para invasores virtuais, de modo que diminua o quantitativo de tais crimes no país. Além disso, visando a conscientização da sociedade, é importante que o MEC ofereça uma disciplina sobre educação tecnológica nas escolas, por meio de sua inclusão na Base Comum Curricular, visando a maior precaução diante da exposição de dados na internet. Assim, será possível desconstruir o paradoxo entre a liberdade e a segurança no país.