A proteção de dados cibernéticos no Brasil.
Enviada em 22/10/2020
Um episódio da série “Black Mirror” ilustra como a utilização dos dados pessoais de um usuário da rede social “Smithereens” colaborou em uma operação policial. Entretanto, fora da ficção, o acesso aos dados cibernéticos não possui a constante finalidade de beneficiar a sociedade. Assim, faz-se necessário analisar como os fatores econômicos e a falta de informação colaboram para a perpetuação da insegurança no meio digital.
Em primeiro lugar, é válido destacar que o modelo capitalista influencia ao fomentar a busca por dados com intuito de intensificar o consumo irracional. Dessa forma, em posse de informações a respeito dos gostos individuais, as empresas passam a oferecer produtos de forma direcionada, o que intensifica a compra desnecessária. Assim, segundo o conceito do filósofo Zygmunt Bauman, vive-se em uma modernidade líquida-imediatista- o que favorece ao sucesso dessas táticas de mercado e resulta em uma população alienada, que não reflete sobre as consequências ambientais e sociais de seus atos, nem sobre a proteção de dados na rede.
Ademais, nota-se a falta de conhecimento da população brasileira no que tange aos crimes cibernéticos. Assim, vale ressaltar que, segundo uma pesquisa da empresa McAfee, o Brasil perde cerca de 10 bilhões de dólares anualmente graças a cibercrimes. No entanto, o assunto é pouco debatido no país, pois desinformação torna a população passiva e crente de que situações como a da série “Black Mirror” são puramente ficcionais, isso impede que ela exerça seu papel dentro de uma democracia representativa: o de pressionar o governo na busca por segurança.
Portanto, urge que os Ministérios da Educação e comunicação atuem no combate à desinformação e às influências do mercado. Dessarte, é mister que especialistas disponham de rádios, televisão e feiras em escolas, nos quais possam informar sobre os cibercrimes e seus reflexos na sociedade, além de ensinar métodos de proteção às informações virtuais e a reconhecer ameaças. Assim, por meio de cidadãos engajados, casos de acesso aos dados como ilustrado por “Black Mirror” se tornarão inviáveis.