A proteção de dados cibernéticos no Brasil.

Enviada em 22/10/2022

O Ministério da Saúde integrou a farta lista de vítimas de sequestro de dados digitais ao ter a sua segurança violada, o que produziu o colapso parcial do sistema de vacinação contra o Coronavírus no Brasil e expôs milhões de brasileiros. Através desse acontecimento, é evidente que a proteção de arquivos e informações em meio digital no Brasil é precária e existem obstáculos para sua resolução, assim, torna-se necessário analisá-los, com foco na escassez de profissionais de cibersegurança e na negligência em torno de tal atividade.

Diante desse cenário, a falta de profissionais na área de segurança tecnológica é um entrave para se assegurar os dados e sistemas virtuais. Mediante o crescimento exponencial de sistemas e usuários conectados à internet na última década, aumentou-se drasticamente a demanda por esses técnicos, que são insuficientes para sanar essa procura, pois trata-se de uma ocupação que surgiu recentemente e não há ambientes suficientes para formar a quantidade satisfatória de peritos. Logo, é concreta a necessidade de novos profissionais em segurança da informação para o arremate desse revés.

Outrossim, observa-se a negligência da cibersegurança por parte da administração pública e privada como perpetuação desse entrave. À luz dessa lógica, é pertinente citar o relato de um dos poucos profissionais brasileiros que atuam na segurança digital, o “hacker ético” Gabriel Pato, o qual encontrou vulnerabilidades críticas em domínios “web” estatais e privados e ao reportar para as administrações responsáveis obteve represálias. Assim, fica claro o menosprezo em questão da proteção de dados, que produz catástrofes como o caso do Ministério da Saúde.

Portanto, indubitavelmente, atitudes são necessárias para o encerramento da problemática. Dessa forma, é imprescindível que o Estado, em parceria com a iniciativa privada - principalmente empresas de tecnologia, como a Google e Microsoft -, suscite novos cursos especializados na proteção de documentos e aplicações virtuais. Concomitantemente, é essencial que os mesmos fomentem a contratação de tais profissionais, através de campanhas educativas, com o fito de assegurar qualquer ambiente virtual, para que assim, não ocorram novos casos idênticos aos do Ministério da Saúde e do Gabriel Pato.