A qualidade da água no Brasil

Enviada em 16/02/2020

O filme norte-americano “A qualquer preço” relata a história do advogado Jan, o qual analisa a morte de jovens após uma empresa ter contaminado o reservatório de água que abastece sua cidade, mas, devido à ausência de recursos financeiros, enfrenta obstáculos para continuar no combate desse crime ambiental. Fora da ficção, esse cenário inseguro na qualidade hídrica também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela negligência do setor industrial, ora pela ineficiência estatal – prejudica a saúde da população e atrapalha a harmonia dos ecossistemas aquáticos.

A princípio, cabe analisar o papel negligente das indústrias sob a visão do filósofo alemão Hans Jonas. Segundo o autor, o homem deve preocupar-se com os efeitos coletivos de suas ações e não apenas em resultados individuais. Analogamente, grande parte do setor fabril contradiz esse pensamento ao objetivar somente seu contexto de lucratividade – no qual ignora a despoluição de aquíferos e práticas que evitam a liberação de rejeitos em poços hídricos para reduzir despesas industriais. Por consequência, gradativamente, tende a aumentar índices de contaminação em rios e lagos, o que prejudica o bem-estar de populações que utilizam essas águas e afeta o equilíbrio do ambiente aquático.

Ademais, além do setor industrial, a atuação estatal ineficiente também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo britânico John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contrapõe essa ideologia ao promover poucas medidas preventivas para problemas ambientais, as quais, frequentemente, não incentivam técnicas de produção com reduzidos danos ecológicos e favorecem que empresas descartem materiais poluentes em mananciais hídricos. Logo, observa-se um desequilíbrio nos ecossistemas com a contaminação da cadeia alimentar aquática e a ampliação de produtos marinhos com altos níveis de toxicidade.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com agências de fiscalização biológica, deve executar projetos para monitorar a qualidade hídrica do país, de modo a inibir indústrias que liberam materiais poluentes em meios aquáticos e incentivar, com benefícios fiscais, iniciativas que valorizam a preservação de rios e mares. Dessa maneira, será possível garantir aos brasileiros o consumo seguro da água e diminuir a contaminação da vida marinha. Além disso, o governo, por meio de verbas públicas, deve aumentar impostos em empresas que ignoram o descarte seguro dos resíduos industriais, a fim de impor técnicas de prevenção e evitar que mananciais impuros afetem contextos socioambientais, assim como ocorreu no filme “A qualquer preço”.