A qualidade da água no Brasil
Enviada em 16/02/2020
“Escarra nessa boca que te beija!” é um verso do escritor brasileiro Augusto dos Anjos que evidencia a falta de reciprocidade entre as relações humanas. A partir da compreensão dessa ideia, é possível correlacioná-la à precária qualidade da água no Brasil. Afinal, os cidadãos do país elegem os governantes, mas, recebem como retorno, políticas públicas pouco eficientes. A água potável, com isso, não está disponível para todas as regiões brasileiras e, nos locais aonde está presente, possui condição duvidosa.
Em primeira análise, é possível observar que há regiões brasileiras sem acesso à água potável. Isso ocorre, principalmente, em locais considerados desprovidos de capacidade econômica, como o sertão nordestino. Poucas políticas públicas, assim, alcançam esses lugares, já que são historicamente marginalizados quando comparados aos centros urbanos do sudeste. Tal fato ocorre, pois, com a chegada da família real em 1808, investimentos de urbanização e melhorias na qualidade de vida foram realizadas na cidade do Rio de Janeiro, o que fez com que outras regiões ficassem, erroneamente, em segundo plano. Com isso, até hoje, é perceptível o desequilíbrio da atenção pública para diversas regiões brasileiras, o que reflete o passado colonial. Por consequência, locais marginalizados não costumam receber sistema públicos básicos, como tratamento de esgoto e de água, o que, como resultado, diminui a qualidade da segunda e, portanto, da população que a ingere. Problemas gastrointestinais e verminoses, assim, não são raros nesse cidadãos.
Aliado a isso, mesmo em locais em que há o tratamento de esgoto e de água, a qualidade dessa costuma ser duvidosa. Isso porque, de acordo com a ONG SOS Mata Atlântica, apensas 11% dos rios e mananciais foram considerados como bons. Tal fato ocorre por dois motivos principais: educação precária de alguns cidadãos, que costumam despejar lixo nos rios; e as indústrias e agropecuária, que também colocam resíduos nos córregos, uma vez que é mais econômico do que contratar empresas especializadas. Por consequência, a população brasileira, ou compra água mineral de forma corriqueira, o que pode ser inviável para diversas famílias carentes, ou ingere metafórica e literalmente os frutos das políticas públicas ineficientes.
Portanto, é necessário que o Ministério do Saneamento Básico, com verbas aumentadas pelo Ministério da Economia, inclua tratamento de água em locais historicamente marginalizados e melhore os já presentes, o que irá melhorar a saúde da população como um todo. Além disso, é importante que o Ministério da Saúde realize palestras semestrais em praças públicas sobre a importância de ferver a água antes de seu uso. Assim, a falta de reciprocidade ficará somente na literatura.