A qualidade da água no Brasil
Enviada em 04/03/2020
Anos antes de Cristo, os romanos já utilizavam a engenharia para garantir água pura e potável às cidade, por reconhecerem sua vital importância. Ao longo dos séculos, esse cuidado hídrico foi se perdendo, o que resultou na má qualidade do recurso em vários países, como o Brasil. A falta ou ineficácia do planejamento público e a mineração descuidada têm contribuído para o atual cenário nacional.
Em primeira análise, vale salientar que o setor público do país investe pouco no planejamento da administração hídrica, e muitas vezes de forma forma ineficaz. Consequentemente, os mecanismos de limpeza de rios, tratamento de esgoto e água, bem como sua distribuição, são insuficientes em algumas regiões. Por exemplo, no começo deste ano, dezenas de cidades do Rio de Janeiro ficaram sem água potável em suas torneiras. O ocorrido deve-se a grande poluição do rio Guandú, usado para distribuição, e ao questionável tratamento hídrico. Moradores foram indicados por infectologistas a não consumirem o recurso supracitado, o que leva ao gasto financeiro com a compra de água mineral. Portanto, é notório o tamanho do prejuízo econômico e social advindos do fraco saneamento básico em uma comunidade.
Concomitantemente, o grande poder atribuído às mineradoras no país fez com que estas negligenciassem medidas nacionais de segurança. A Agência Nacional de Águas (ANA) revelou que nenhuma das barragens de rejeitos atendem mais da metade dos requisitos de proteção. Em função disso, “acidentes” que envenenam os rios próximos e ceifam vidas têm ocorrido nos últimos anos. Metais pesados anteriormente decantados nos fundos dos rios voltaram a circular junto a novos que foram trazidos dos reservatórios. Estes cursos hídricos tornaram-se impróprios para consumo humanos, bem como outros virão a se tornar, caso o Estado não atue e continue permitindo indiretamente que novos acidentes ocorram.
Desse modo, avulta-se a necessidade de mudanças. Primordialmente, compete ao Estado o papel de direcionar uma maior renda à área de saneamento básico e focar na administração dos recurso hídricos ao longo de todo o seu ciclo. Ademais, cabe, ainda, ao Poder Público exigir os relatórios de segurança das mineradoras e suas adequações aos requisitos mínimos constantes. Tomadas tais medidas, respectivamente, a qualidade das águas fluviais tenderia a crescer progressivamente, reduzindo grandes custos em seu tratamento e problemas de saúde nos cidadãos, e a chance de possíveis catástrofes fatais que contaminariam rios seria reduzida. Por fim, água de potável seria mais eficientemente garantida aos cidadãos, como ocorria em Roma séculos atrás.