A qualidade da água no Brasil
Enviada em 07/03/2020
A presença da água foi fator preponderante para que as primeiras civilizações como Egito e Mesopotâmia prosperassem. Nesse contexto, é fato inquestionável que a água é indispensável para uma população crescer e a qualidade dela influencia diretamente na saúde pública. Dentro desse espectro, o Brasil está muito aquém de oferecer uma água de qualidade aos cidadãos e isso acontece devido a uma ineficácia estatal marcada pela displicência com a lei ambiental e pela negligência com o saneamento básico.
A princípio, é importante ressaltar que, embora exista uma legislação reguladora do lançamento de efluentes em cursos de água pelas empresas, sua fiscalização é ineficiente. Por conseguinte, não é raro observar indústrias despejando resíduos diretamente em rios, muitas vezes contaminados com produtos químicos e metais pesados, os quais são bioacumuladores e não são eliminados pelo corpo humano. Desse modo, por não serem monitoradas adequadamente ou punidas pela falta de tratamento, tais empresas perpetuam esse tipo de ação e prejudicam diretamente a qualidade da água captada. Depreende-se, então, que é necessário haver maior rigor na lei ambiental para que todas as empresas sejam responsáveis pelo destino e cuidado de seus efluentes.
Somado a isso, é preciso frisar o descaso público no que concerne ao saneamento básico. Nesse sentido, segundo o portal de notícias BBC, 81% dos municípios despejam esgoto em rios. Consequentemente, isso polui e contamina as águas, gerando problemas sérios como propagação de doenças bacterianas e virais, além de assoreamento dos rios, o que causa enchentes e caos urbano nos tempos de maior precipitação. Infere-se, pois, que existe um rompimento com o conceito de política, o qual, de acordo com Aristóteles, é o dever de cuidar da pólis, o que não é observado aqui, tendo em vista que o saneamento é negligenciado em grande parte do país.
Fica claro, portanto, que a qualidade da água no Brasil é prejudicada por uma ineficiência estatal. Por conta disso, para mudar esse quadro, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) deve endurecer as normas previstas no Código de Lei Ambiental. Isso pode ser feito por meio de criação de uma força-tarefa composta por engenheiros que fiscalizem mensalmente as empresas e seus lançamentos de efluentes e multem aquelas que não estão cumprindo as leis, a fim de diminuir os resíduos poluentes nas águas. Ademais, a população deve cobrar dos políticos projetos de saneamento básico mediante manifestações e abaixo-assinados, com vistas a aumentar o tratamento de esgoto no país. Assim, a água terá sua qualidade e importância resgatadas assim como era nas antigas civilizações asiáticas.