A qualidade da água no Brasil
Enviada em 13/03/2020
Diversos cientistas já determinam a busca pela água em outros planetas como pré-requisito para a existência de vida tal como é conhecida na Terra, devido à tamanha importância dessa substância. Apesar do destaque representado por esse composto, o persistente descaso da população e do governo, por exemplo com o pouco investimento no tratamento de esgoto e as contaminações decorrentes da agricultura, refletem na crescente redução da qualidade desse recurso. Nesse sentido, fatores de ordem política e econômica caracterizam a problemática.
É importante pontuar, de início, a escassa atenção dado pelo governo a questões como saneamento básico e tratamento de esgoto, bem como um imaginário popular de eterna abundância de água como causadores do quadro vigente. Uma vez que, no Brasil, assuntos com pouca visibilidade e impacto na população foram historicamente negligenciados pelos políticos, a construção de estações próprias para tratar dejetos, por exemplo, ocorreu de forma tardia e lenta. Prova disso é a grande parcela dos esgotos das cidades e municípios brasileiros serem jogados nos rios e mares sem qualquer tratamento prévio. Tal situação gera a poluição desses ambientes fornecedores de água. Somado a isso, a criação de um imaginário popular a partir da Carta de Pero Vaz de Caminha de um país que apresenta inesgotável arsenal de água doce também pode interferir na menor preocupação da população com o assunto.
Outrossim, vale ressaltar a utilização de práticas pouco ecológicas na agricultura como mais um desafio para a melhoria da qualidade da água. Apesar do maior debate sobre a sustentabilidade, cujos princípios se baseiam no desenvolvimento econômico atrelado à preservação da natureza, no Brasil ainda predomina o excessivo uso de agrotóxicos, muitas vezes proibidos em países europeus por conta dos extremos impactos ambientais provocados. Muitos desses defensivos agrícolas não biodegradáveis, ou seja que se acumulam na natureza, infiltram nos solos e contaminam os reservatórios de água subterrâneos, responsáveis pela retroalimentação dos rios e, com isso, torna esse recurso impróprio para o consumo.
É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho político e econômico na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo Federal o papel de realizar maiores investimentos para a construção de Estações de Tratamento de Esgoto(ETA’s) a fim de promover maior celeridade na busca da melhoria da qualidade da água no país. Ademais, é fundamental a aprovação de leis no Congresso Nacional que determinem a proibição de determinados agrotóxicos extremamente nocivos e não biodegradáveis com o fito de evitar a contaminação dos lençóis freáticos. Poder-se-á, assim, combater o problema e fazer com que o país corrobore com os cientistas por meio de ações, não apenas palavras.