A qualidade da água no Brasil

Enviada em 29/03/2020

A riqueza desvalorizada

Em sua famosa música “Planeta Água”, Guilherme Arantes versa sobre a importância e protagonismo dessa substância para a vida na Terra. Rico nesse recurso, o Brasil se constitui como a maior reserva de água doce do mundo, representada pelo Aquífero Guarani. Embora abundante, a água brasileira sofre com a baixa qualidade promovida pela poluição de suas fontes e precariedade de suas redes de distribuição.

Há de considerar, primeiramente, que os cursos cursos d’água recebem uma grande quantidade de rejeitos não tratados. Segundo especialistas, o Guandu, segunda maior ETA do mundo, recebe 1 bilhão de litros de esgoto in natura ao longo do caminho, desde sua nascente. Esse despejo deve-se não só pela falta de saneamento básico dos centros urbanos e das comunidades ribeirinhas, mas também pelo descarte irregular de resíduos industriais.

Cabe também ressaltar que o serviço de abastecimento hídrico, em muitos locais inexistente, não oferece condições ideais. A deterioração das redes de encanamento, por falta de manutenção, permitem que a água entre em contato com microorganismos, ferrugem e outras substâncias. Além disso, a ausência de fiscalização corrobora para a persistência do uso de ligações clandestinas, as quais podem exercer efeitos sobre as características da água que chega às torneiras do público.

Pode-se constatar, portanto, as péssimas circunstâncias às quais o reservatório aquífero nacional está submetido. Por essa razão, fica evidente a necessidade da implementação de fortes políticas públicas, tais como ampliação do sistema de saneamento básico e sua fiscalização, pela Anvisa, a fim de evitar contaminação de leitos. Em paralelo, é preciso que haja manutenção constante das redes de distribuição de água, para que suas propriedades sejam mantidas. Para tanto, é imperioso uma educação ecológica, capaz de formar cidadãos que saibam que as águas que correm nos rios são as mesmas águas que matam a sede da população.