A qualidade da água no Brasil

Enviada em 31/03/2020

O filósofo Tales de Mileto disse “a água é vida e princípio de vida, todas as coisas dela provêm e a ela voltam, de sorte que tudo é vivo, tudo é “animado” e, nesse sentido, dotado de alma” para apresentar sua tese de que a Terra repousa sobre a água. Mesmo que científicamente equivocado, a afirmação do filósofo não podia ser mais verdadeira, tendo em vista que a água potável é essecial para todo e qualquer ser vivo. No entanto, mesmo no Brasil que é hospedeiro da maior bacia hidrografica do mundo - a bacia Amazônica -, é possível perceber o descuído para com esse recurso vital, seja por má gestão do esgoto ou pela expansão do desmatamento para fins agrícolas.

Primordialmente, é notório que a falta de saneamento básico afeta o acesso à água no Brasil. Segundo o  Sistema Nacional de Informações (SNI) sobre o saneamento, relativos a 2017, apenas 13% dos esgotos gerados são coletados na região norte, e, segundo reportagem do jornal Em Tempo, essa ausência de saneamento básico resulta na poluição de rios no Amazonas. Como resultado dessa poluição, famílias perdem parte de um recurso imprescindível para a própria sobrevivência, além de que, uma pesquisa publicada pelo periódico PLOS Neglected Tropical Diseases mostra, que precárias condições de saneamento básico são responsáveis por potencializar o contágio do vírus da zika.

Por conseguinte, é importante reconhecer que o desflorestamento e a expansão agrícola são fatores de risco para a oferta de água. Um relatório produzido pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) em 2018 reforma essa tese, visto que tais práticas comprometem o ciclo hídrico das florestas e provocam mudanças no uso do solo que modificam a dinâmica dos rios. Como consequência, grande parte da água no Brasil torna-se inaproveitável para uso, como apresenta levantamento da ONG SOS Mata Atlântica, feito em sete estados brasileiros, onde a água é ruim ou péssima em 40% dos 96 rios, córregos e lagos.

Dessarte, é mister a ação do Governo para a possível resolução do problema. A fim de amenizar a poluição nos leitos dos rios e, por consequência, melhorar a qualidade da água, urge que o Estado invista, por meio de verbas governamentais, no aperfeiçoamento das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) e que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis seja mais rigido na fiscalização de desmatamento ilegal, punindo de forma justa aqueles que desrespeitam a lei. Só assim, será possível a construção de um Brasil mais limpo que, ademais, terá condições de prover para a toda a população de forma igual,