A qualidade da água no Brasil
Enviada em 04/11/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da precária qualidade da água no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no país. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também impunidade dos crimes ambientais.
De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação ao comprometimento em melhorar a qualidade e a distribuição da água no país, fomenta a atual inadimplência Estatal. Porquanto, o último levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações Sobre o Saneamento (SNIS), o qual revela que, em 2015, 35 milhões de brasileiros não possuíam acesso à água potável, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.
Outrossim, a ação antrópica contribui para a acentuação da problemática. A 3ª Lei de Newton assegura que, para toda ação, há uma reação de mesma intensidade. No contexto do tema apresentado, a ação do homem provoca reações em cadeia que trazem consigo adversidades à sociedade e aos ecossistemas do país. Em síntese, ações como o constante despejo de esgotos em rios e o uso abusivo e indevido de agrotóxicos em áreas com lençóis freáticos, proporcionam a formação de problemas socioambientais, à exemplo, tem-se a poluição de fontes limpas água e a enorme dificuldade para tratar essa água. Posto isso, práticas de zelo ambiental e sustentáveis devem ser adotadas agora, para que, consoante a máxima do filósofo alemão Hans Jonas, o homem e o efeito de suas ações não comprometam a qualidade de vida e a saúde das futuras gerações.
Logo, para que o triunfo sobre a precária qualidade da água no Brasil seja consumado, urge que o Superministério do Desenvolvimento Regional, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova melhorias no sistema de saneamento básico, de modo a democratizar o acesso à água potável. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada de campanhas publicitárias, com o fito de alertar a população sobre os males ocasionados pela poluição de rios e lagos. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados na construção de postos de vigilância ambiental, com o intuito de combater e fiscalizar indústrias poluentes. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.