A qualidade da água no Brasil

Enviada em 23/04/2020

Mais poluição e menos água nos rios

No início de 2020, houve um aumento dos protestos quanto à qualidade da água fornecida a alguns bairros do Rio de Janeiro. Os cidadãos relatavam o estado inaceitável em que o recurso chegava a suas casas, citando um cheiro e uma cor atípicos, além de um forte gosto de terra na maioria dos casos. O acesso à água sem tratamento próprio vem se tornando um problema cada vez mais presente no Brasil. Uma pesquisa divulgada pela ONG SOS Mata Atlântica revelou que 40% dos rios analisados em sete estados brasileiros possuíam água considerada de má qualidade, um quadro preocupante e altamente prejudicial à saúde da população brasileira.

A falta de qualidade da água no Brasil pode ser relacionada ao tratamento deficiente do esgoto e ao aumento da poluição em centros urbanos. Dados da Agência Nacional das Águas mostram que menos de 30% das águas em áreas urbanas são de boa qualidade, evidenciando os efeitos desses tipos de poluição. Ao ser despejado em rios e mares, o esgoto, além de provocar o desequilíbrio da vida de organismos aquáticos, contamina fontes utilizadas para o abastecimento da população. Resíduos provenientes da poluição do ar têm o mesmo efeito prejudicial. Tais problemas não costumam ter efeitos mais graves sobre as populações de grandes cidades, visto que nestas há mais recursos disponíveis para o tratamento da água, mas sim sobre áreas próximas com menores condições de garantir o consumo seguro desse recurso.

Outro agravante dessa questão é o aumento do uso de agrotóxicos e o desmatamento resultante da expansão agrícola. O Brasil utiliza uma grande quantidade de agrotóxicos em sua produção agrícola, alguns cujo uso é proibido na China e em países da União Europeia por conterem um alto nível de toxicidade. Ao entrarem em contato com o solo, esses produtos podem facilmente chegar a contaminar fontes de água próximas, alterando sua qualidade para o consumo. Além disso, a expansão agrícola gera o aumento da retirada da cobertura vegetal em florestas, alterando o ciclo hídrico do ambiente e, consequentemente, prejudicando a qualidade das fontes de água próximas.

É, portanto, essencial que as instituições públicas e privadas responsáveis pelo controle dos recursos hídricos tomem atitudes eficientes, a começar pela difusão de informações correspondentes à situação real da água consumida no Brasil. Além disso, fazem-se necessárias inspeções do uso de agrotóxicos e do desmatamento em áreas de produção agrícolas, aplicando-se com firmeza normas que reduzam o dano ambiental. A perda da qualidade da água consumida somada à crise da quantidade de água disponível, se não combatida efetivamente, resultará em um colapso mundial.