A qualidade da água no Brasil
Enviada em 12/05/2020
No início do ano de 2020, jornais noticiaram a crise hídrica no Estado do Rio de Janeiro, pois a água estava, em algumas cidades, com cor, odor e sabor. Embora trate de um local específico, o caso diz muito sobre o atual cenário brasileiro, no qual se observa nítidas deficiências na qualidade da água em vários municípios, em consequência da expansão urbana desordenada e da poluição advinda de atividades industriais.
Em princípio, é imperioso demonstrar como o desenvolvimento irregular da urbe no Brasil contribuiu para a situação que hoje se encontram os fluviais no país. Acerca disso, é pertinente trazer a análise do geógrafo Milton Santos, na qual ele diz que a urbanização brasileira aconteceu de modo acelerado, tendo como resultado muitas mazelas sociais. Assim, questões básicas como tratamento de esgoto só começaram a ser pensadas no país após excessiva ocupação do espaço, encontrando uma série de entraves de ordem econômica e estrutural. Desse modo, o descarte de resíduos biológicos domésticos, de modo especial em áreas mais periféricas, onde residem pessoas mais pobres, foi direcionado principalmente para os rios durante muitos anos. Logo, os recursos hídricos acabaram sendo afetados negativamente com o crescimento geográfico desmedido da população.
Outrossim, as práticas industriais também podem ser apontadas como responsáveis pelo problema. Segundo o pensamento marxista, as indústrias privadas e os capitalistas que as comodam tendem a priorizar os lucros pessoais em detrimento do bem coletivo. Comprovando essa crítica, esse setor econômico jogou seus restos químicos de produção sem o devido tratamento, ao longo de anos, em rios brasileiros sem avaliar os impactos ambientais futuros, sendo que ainda hoje fazem isso. Constata-se, assim, a íntima relação da má qualidade da água e as ações realizadas por fábricas.
Portanto, faz-se necessária a atuação do Poder Legislativo na promoção de melhorias no saneamento básico das cidades brasileiras. Isso pode ser feito com aprovação do novo marco legal para o setor de saneamento básico, transformando essa agenda como prioridade para todos os municípios brasileiros. Dessa forma será possível minimizar um dos problemas advindos da urbanização que ocorreu no país, que é a poluição das águas através do esgoto residencial não tratado, e também será possível promover o bem estar de pessoas mais desfavorecidas.Em paralelo, cabe ao Ministério da Justiça, punir, segundo a legislação ambiental, empresas que afetem negativamente os recursos hídricos. Isso pode ser feito com a criação de forças tarefas federais que analisem denúncias já feitas por ambientalistas. Essa proposta visa atenuar o impacto nocivo de algumas indústrias nas bacias hidrográficas e permitir que a água seja, de fato, incolor, inodora e insípida.