A qualidade da água no Brasil

Enviada em 04/09/2020

Na obra " Utopia", de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, a qual padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, sabe-se que, fora da ficção, no Brasil hodierno, tal representação não condiz com a realidade do país, haja vista que os problemas socioambientais, como a péssima qualidade da água, persistem na esfera social brasileira. Desse modo,  a poluição ambiental e a falta de tratamento de esgoto contribuem para o agravamento da problemática em questão.

A priori, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e de agir, dotada de coercitividade e generosidade. Nessa lógica,  vê-se que a poluição dos recursos hídricos é reflexo de uma esfera social inconsequente e segregada, uma vez que ela não representa a coletividade retratada por Durkheim e, consequentemente, prioriza o individualismo. Sob esse prisma,  em virtude da falta de conscientização socioambiental e do desvinculamento social ante as ações que visam o bem comum, a qualidade da água é prejudicada.

Outrossim, a narrativa da obra de Machado de Assis," O cortiço", é baseada na falta de saneamento básico, que afeta os indivíduos marginalizados. Nessa conjuntura, analogamente ao que é retratado no livro, no Brasil, a população que vive de forma precária sofre com o descaso governamental sobre a falta de tratamento de esgoto e, por conseguinte, esse cenário possibilita o desequilíbrio do ecossistema marinho, visto que o despejo de dejetos em rios leva à eutrofização dessas águas e, assim, ocasiona a morte dos animais marinhos. Além disso, a proliferação de doenças também está associada à problemática em questão e, dessa forma, essa situação é contraditória ao que é defendido por John Locke, uma vez que ele afirma que o Estado deve garantir o bem estar social.

Portanto, torna-se imprescindível a necessidade de mudar essa realidade brasileira. Sob essa perspectiva, as instituições de ensino devem, por meio de aulas e palestras, discutir sobre como o individualismo afeta o ambiente e, principalmente, os recursos hídricos. Nesse contexto, essa ação possui como finalidade incentivar a coletividade e ,como consequência, formar indivíduos conscientes sobre a importância da reciclagem para o progresso social. Ademais, é preciso que o Estado, por intermédio da disponibilização de verbas, trate todos os esgotos das áreas periféricas e, nesse viés, garanta à população marginalizada o acesso à água tratada. Nesse aspecto, esse cenário cria a possibilidade de minimizar a proliferação de doenças  e de preservar o equilíbrio do ecossistema aquático. Assim, tais medidas visam combater a problemática em questão e reduzir a discrepância entre a realidade brasileira e o que é retratado na obra " Utopia “.