A qualidade da água no Brasil

Enviada em 30/05/2020

‘‘No meio do caminho tinha uma pedra". Nesse verso do poeta Carlos Drummond, publicado na “Revista de Antropofagia” em 1928, é presente uma metáfora para desafios. À luz disso, concomitantemente a essa citação, é certo que há uma pedra no caminho do Brasil: a crescente poluição dos corpos de água doce e salgada, que não só afeta os ecossistemas aquáticos, mas também influencia no surgimento de doenças no corpo civil, por gerar contaminação e males ao organismo.

Antes de tudo, um dos principais problemas ambientais que acomete a pátria hodiernamente é a persistência da degradação dos reservatórios de água, em razão das diversas maneiras de poluição. Assim sendo, no que tange ao ciclo de danos, é um exemplo da consequência do uso de fertilizantes com altas concentrações de nitrogênio e fósforo, além do descarte de esgotos, o processo de eutrofização, situação em  que plantas desse habitat (macrófitas) ou algas se proliferam nas margens, o que gera a impossibilidade de entrar luz para o processo de fotossíntese. Desse modo, toda a comunidade hídrica é afetada, desde os seres produtores de energia e maiores responsáveis por devolver oxigênio à atmosfera, a citar o fitoplâncton, até os animais mais complexos.

Ademais, é indubitável  que outro fator prejudicial viabilizado pelo desgaste da qualidade hídrica é a propensão dos humanos à patologias, seja pelo consumo de água ou alimentos impróprios. Com efeito, nessa perspectiva, o fenômeno de magnificação trófica, acúmulo de matéria danosa ao longo de uma cadeia alimentar, pode gerar desde distúrbios como a malformação fetal, provinda do metal chumbo, até doenças infecciosas do trato gastrointestinal. Logo, são necessárias medidas para erradicar esse cenário, pois parafraseado o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, não são as crises que mudam o mundo, e sim a reação à elas, e essa é a melhor ferramenta para mudar essa realidade.

Dessarte, urge que o Ministério do Meio Ambiente (MMA), atue para diminuir os índices de opugnação das águas pelo uso de fertilizantes impróprios e oriente os indivíduos sobre os males à saúde . Em suma, deve ser feito por intermédio de fiscalização e análise de amostras coletadas  semestralmente e a execução de campanhas nas redes virtuais sobre a importância de se preservar para interromper a propagação de doenças, com imagens e textos de fácil entendimento para também destacar a missão de saber a origem dos mantimentos para consumo, com o intuito de construir métodos mais sólidos e efetivos que envolvam todos os segmentos sociais. Somente assim, será possível retirar essa pedra do caminho.