A qualidade da água no Brasil
Enviada em 10/06/2020
“Somente quando for cortada a última árvore, e poluído o último rio, o homem vai perceber que não se pode comer dinheiro”. Tal frase da ong ambiental Greenpeace evidencia a problemática da poluição das águas no Brasil. A falta de tratamento de esgoto e o despejo deste diretamente nos rios trazem inúmeros prejuízos sociais. Desde o impacto ambiental até os problemas de saúde apresentados pela população, a situação mostra-se de extrema urgência de intervenção.
É fato que o escândalo da empresa Cedae, responsável pelo tratamento da água no Rio de Janeiro, trouxe visibilidade à poluição no rio Guandu, que segundo o levantamento do Instituto Estadual do Ambiente, obteve uma qualidade ruim da água em 80% das regiões analisadas. Tal situação se deve à proliferação da alga geosmina, que se alimenta de matéria orgânica proveniente do esgoto despejado neste rio, reproduzindo-se rapidamente e causando cheiro ruim e tom amarronzado na água. Ademais, a solução encontrada para o problema, que envolve a utilização de carvão ativado, elevou as concentrações dessa substância, e agravou a situação da água, demonstrando a irresponsabilidade dos órgãos designados a lidar com o ocorrido.
Notou-se que no auge da crise os moradores se viram obrigados a comprar água mineral, enquanto aqueles mais pobres ferviam a água não potável na esperança de torná-la consumível. Como dito por Adam Smith, “O consumo é a única finalidade da produção”, e com a redução da qualidade do último, os prejuízos nas indústrias e eventos locais foram imensuráveis, tomando como exemplo o carnaval no Rio, onde nem os turistas, nem os artistas consumiram a água da cidade. Ainda que a justiça tenha decretado descontos nas contas de água da população, tal valor não suprirá os gastos com saúde pública, visto que muitos tiveram de consumir a água e podem acabar doentes, exemplificando crises em vários setores da cidade. Mostra-se assim, que a preocupação com questões ambientais é de extrema importância e deve ser levada a sério.
Diante do exposto, portanto, é necessária uma intervenção estatal do Ministério do meio ambiente em fiscalizar a lei do tratamento de efluentes e de aterro sanitário, evitando o despejo de substâncias impuras e a contaminação da água. A sociedade, por sua vez, deve se ater ao descarte correto de dejetos e contribuir para a preservação ambiental, podendo também exigir de seus governantes políticas eficientes de saneamento básico. Cabe, ainda, à mídia, informar a população sobre a existência de leis e direitos que defendem o consumo de água potável e tratamento de esgoto, principalmente nas regiões mais humildes, disseminando a importância da saúde dos rios nesse processo. Desse modo, contrariar-se-ão as palavras da ong Greenpeace em nossa sociedade.