A qualidade da água no Brasil

Enviada em 12/06/2020

No livro “Ideias para adiar o fim do mundo’, o autor Ailton Krenak discute o impacto negativo da poluição dos rios sobre as tribos indígenas que dependem deles. Fora da literatura, nota-se que má qualidade da água interfere negativamente não só na vida dos povos originários, como também em toda a população brasileira. Diante dessa perspectiva, observa-se a consolidação de um grave problema, em virtude da priorização dos interesses econômicos e da ineficiência da atuação estatal.

Em primeiro lugar, é importante analisar como a prioridade conferida ao lucro potencializa o deterioramento dos recursos hídricos. Nessa ótica, o sociólogo Karl Marx, afirma que os interesses da classe dominante sempre prevalecem na sociedade capitalista. Com isso, as grandes indústrias prevalecem e conferem centralidade ao capital e seguem poluindo e colaborando para a má qualidade da água. Desse modo, a população sofre com as consequências da exploração desmedida da água, com o crescente despejo de poluentes sobre fontes hídricas, que impedem os indivíduos de terem acesso à água de qualidade.

Ademais, vale ressaltar que o Estado não demonstra eficácia na solução dessa problemática. Nesse sentido, destacam-se as tragédias ambientais de Mariana e Brumadinho, que impactaram severamente na água e demonstram que a atuação estatal não foi eficiente na prevenção desses desastres. Assim, constata-se que o Estado segue falhando em realizar as fiscalizações e contenções necessárias para garantir a segurança hídrica. Desse modo, configura-se um cenário de queda na qualidade da água frente a ausência de medidas efetivas que impeçam esse processo.

Portanto, faz-se necessária uma atuação pontual no problema. Visando a melhorar a qualidade da água no Brasil, é preciso retirar a centralidade dos interesses econômicos, mediante atuação estatal eficaz. Para tanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente aumentar a fiscalização sobre o manejo dos recursos hídricos pelas grandes indústrias, através da ampliação das competências da Agência Nacional de Águas (ANA), efetivando, então, a Política Nacional dos Recursos Hídricos e assegurando uma maior qualidade da água. Dessa forma, torna-se possível impedir que a situação controversa explicitada por Ailton Krenak se perpetue.