A qualidade da água no Brasil

Enviada em 14/06/2020

“Não se viciem em água, vocês sentirão muito sua falta”, alerta o principal vilão do filme “Mad Max”. Nesse filme distópico, a água tornou-se um recurso tão raro que virou motivo de guerras e domínio dos mais fortes sobre as fontes naturais ainda restantes. Analogicamente, a falta de saneamento básico e a secundarização da pauta da qualidade hidrológica no Brasil trazem inúmeras consequências ao cotidiano e faz com que, em muitas regiões, esse futuro caótico retratado na longa já esteja presente. Cabe-se então buscar medidas para frear esse avanço rumo a destruição fisiológica do país.

Em uma primeira perspectiva, sob a ótica biológica, a desastrosa conjuntura de baixa presença do saneamento básico ao longo do país afeta a qualidade da água. Isso porque o processo de tratamento de esgoto trata as impurezas e libera água própria para o consumo, o que demonstra sua importância ao preservar a qualidade e garantir o abastecimento correto para inúmeras residências. “Tudo é feito de água”, observação feita pelo filósofo Tales de Mileto, aponta a relevância desse elemento na gênese de todas as coisas, no entanto,nota-se, no Brasil, grandes défictis no tratamento desse importante recurso, o qual é negligenciado e sofre as consequências de uma precária infraestrutura. Sendo assim, a população fica refém da baixa qualidade da água e dos riscos de saúde provenientes de sua ingestão.

Vale ainda ressaltar, ademais, que a secundarização Estatal no tratamento hidrológico no país agrava o atual cenário da pureza aquática. Nesse contexto, a população tem acesso à água de baixa qualidade, com resíduos fecais e microorganismos que transmitem doenças. Exemplo disso foi o período de início de 2020 no estado do Rio de Janeiro, no qual os cidadãos sofreram com a presença de coliformes fecais nas águas distribuídas e foram obrigados a comprar o recurso, enquanto que ao mesmo tempo tiveram que pagar pela água contaminada, uma vez que não houve ressarcimento por parte do governo. Logo, casos como esses demonstram o desleixo com a sociedade brasileira e a marginalização dos debates políticos e econômicos acerca da qualidade de água distribuída no Brasil.

Torna-se evidente, portanto, que a qualidade da água no país é subproduto do saneamento básico precário e da ineficiência Estatal. Para reverter esse quadro, é preciso que o Ministério da Saúde faça, em parceria com os Governos Locais, a estruturação do saneamento básico, por meio da instalação e otimização das estações de tratamento de água e esgoto, para que haja a ciclagem do recurso e sua posterior redistribuição, o que irá melhorar sua qualidade a nível nacional. Além de arquitetar reuniões semestrais para avaliação do processo de limpeza e, assim, garantir a continuidade do projeto. Dessa maneira, futuros distópicos como o do filme “Mad Max” ficarão apenas no plano ficcional, desde que haja a consciência da importância da água para todos.