A qualidade da água no Brasil

Enviada em 18/06/2020

No ano de 1997, foi criada a Lei das Águas, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, a partir da necessidade de proteger as águas brasileiras e garantir a manutenção e desenvolvimento sustentável. Tal lei surgiu no contexto em que esse recurso universal se trona cada vez mais escasso e com qualidade inferior ao desejado. Deve-se, portanto, reconhecer a falta de tratamento de esgoto e à poluição industrial como as principais ameaças à qualidade da água no Brasil.

Convém salientar, primeiramente, os perigos do não tratamento de esgoto. Os dejetos lançados na água contém matéria orgânica, favorecendo a proliferação de bactérias, que consomem oxigênio, baixando o nível do gás na água. Os rios em baixa concentração de O2 impedem a sobrevivência da fauna aquática e ocasiona forte odor. Além disso, o esgoto não tratado promove o crescimento exacerbado de algas, em rios e lagoas, causado pela presença de nitrogênio e fósforo na água, sendo fonte de nutriente. As algas mudam a coloração da água, dificultando o processo de fotossíntese e comprometendo a qualidade desse recurso.

Outrossim, ressaltam-se os lançamentos diários da indústria e agricultura. Esses ramos econômicos geram rejeitos químicos nocivos, como agrotóxico e metais pesados, que podem atingir o lençol freático e causar contaminação extensiva. Nesses dejetos há diversos organismos patogênicos, como bactérias, vírus, protozoários e vermes, que ocasionam doenças graves, como cólera e hepatite. Segundo o Instituto Trata Brasil, foram notificadas 340 mil internações por infecção gastrointestinal, no Brasil, em 2015, evidenciando os perigos do lançamento inadequado.

Nessa perspectiva, diante dos fatos supracitados, são necessárias medidas para garantir a qualidade da água no Brasil. Cabe ao Governo Federal, em parceria ao Ministério do Meio Ambiente e especialistas, desenvolver projetos de manutenção e substituição dos sistemas hídricos precários, visto que grande parte da água tratada é perdida no processo de distribuição, em vazamentos nos canos e tubulações. Para isso, é necessário um planejamento financeiro por parte do Governo e o investimento de verbas, visando à redução de perdas. Além disso, é prudente enrijecer as leis ambientais, por meio de uma fiscalização ativa e concessão de multas àqueles que apresentarem comportamento de risco à natureza. Desse modo, grande parcela da problemática será resolvida.