A qualidade da água no Brasil

Enviada em 20/06/2020

Hans Jonas, em seu livro “O Princípio da Responsabilidade”, afirma que o ser humano deve viver de forma a não comprometer a vida das gerações futuras, usufruindo e cuidando de forma racional do meio ambiente. No Brasil, entretanto, percebe-se que tal princípio não é cumprido, o que pode ser visto pela péssima qualidade da água do país, fenômeno causado, principalmente, pelo lançamento de esgotos e pelo uso desmedido de agrotóxicos e fertilizantes na agricultura, os quais podem chegar até corpos de água próximos. Dessa forma, urge a tomada de medidas a fim de contornar essa nociva realidade nacional.

Em primeira análise, verifica-se o descarte de dejetos e fezes nos ambientes aquáticos como uma das razões da persistência dessa problemática. Isto se evidencia a partir de dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil referentes a 2017, em que cerca de 5622 piscinas olímpicas de esgoto não tratado são lançadas diariamente em córregos, lagos e mares. Tal prática acaba por tornar a água destes ambientes impróprias para o uso, além de prejudicar setores importantes da região, como o turismo. Assim, urge a atuação do Estado com o fito de contornar este triste panorama.

Além disso, observa-se o uso excessivo de produtos químicos em terras agricultáveis como uma das causas da péssima qualidade hídrica da nação. Dessa forma, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Instituto de Gestão da Água, afirmam no relatório intitulado “Mais pessoas, mais alimentos, água pior?” sobre a capacidade de poluição dos corpos aquáticos por meio do escoamento de fertilizantes e agrotóxicos utilizados na agricultura, o que resulta no fenômeno da eutrofização e prejudica o uso daquela região para fins diversos. Desse modo, é visto  o caráter nocivo do uso desmedido destes produtos e torna ainda mais urgente a tomada de medidas.

A fim de melhorar a qualidade da água no Brasil, o Governo Federal deve, portanto, promover o tratamento adequado dos esgotos, por meio da criação de estações de manejo e reutilização destes dejetos orgânicos, além dos corpos hídricos poluídos por estes, com o fito de utilizá-los em outras esferas da vida pública. Ademais, urge a fiscalização sobre as áreas de produção agrícola pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com ONGs nacionais e internacionais, por meio de inspeções constantes, com a avaliação da qualidade dos ambientes hídricos adjacentes, como rios, lagos e até mesmo o lençol freático, a fim de verificar o estado destas regiões. Espera-se, com isso, promover um aumento qualitativo da água do país, bem como colocar em prática o princípio elaborado por Jonas em seu livro.