A qualidade da água no Brasil

Enviada em 01/07/2020

Em 2020, a cidade do Rio de Janeiro-RJ foi acometida por uma crise hídrica causada pela qualidade da água fornecida à população. O episódio nos obriga a refletir sobre o acesso e a importância da água no âmbito social brasileiro. Em um país reinado de desigualdades o acesso pleno a direitos é ilusório. Ter água limpa na torneira não é realidade para parte dos brasileiros, que por não terem infraestrutura mínima acabam sendo excluídos da cidadania. Além disso, sem o saneamento básico a população, de maioria carente, se expõe a doenças medievais.

Em primeiro lugar, não fornecer água potável às pessoas é uma clara alienação de acesso aos direitos básicos. É comum aludirmos ao sertão nordestino imagem de mulheres carregando grandes baldes de água nas cabeças. O que na primeira vista parece ser algo tradicional na cidade é a degradação da condição de pessoa social. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1957), a qual o Brasil é signatário, todos tem o direito a cidadania. Ocupar boa parte do dia de uma pessoa com atividades que deveriam ser de responsabilidade do Estado, como o fornecimento de água, faz com que o indivíduo fique à parte de movimentos políticos. A falta de reivindicações leva a cegueira das autoridades.

Somando a isso, a falta de fornecimento de água causa o adoecimento da população. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) apenas 56% da população tem água encanada em casa. O descarte em rios e fossas do material contaminado coloca o resto das pessoas nos mesmos padrões sanitários da Idade Média européia, onde doenças transmitidas por protozoários matavam os indivíduos. O cenário se repete em um Brasil secular, onde em 2013, houve mais de 300 mil casos de infecção gastrointestinais relatados.

Portanto, a qualidade da água no Brasil deve ser um tema priorizado tendo em vista seu impacto no âmbito social e da saúde. O Estado poderia privatizar áreas lucrativas, exercendo, todavia, forte fiscalização, e tomar para si áreas mais carentes que não são de interesse das empresas. Dividindo responsabilidades, a União pode focar em áreas mais precarizadas. Dessa forma, os indivíduos não se preocuparão com suas condições básicas, mas sim com a sua atuação social na busca por outros direitos.