A qualidade da água no Brasil
Enviada em 12/08/2020
O clássico da literatura regionalista dos anos 1930 “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata a cruel seca do Nordeste do país. Fora da ficção, percebe-se que a crise hídrica e a distribuição desigual de água no território nacional afetam milhares de brasileiros. Como consequência, muitos consomem água de má qualidade. Logo, faz-se fulcral entender como a falta de tratamento de esgoto e a poluição oriunda da indústria e da agricultura ameaçam a qualidade da água no Brasil.
É preciso considerar, antes de tudo, o precário sistema de saneamento básico do país como um elemento propulsor da problemática. Nesse contexto, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 45% do esgoto gerado no território passa por tratamento. Nessa lógica, revela-se que apesar do filósofo inglês John Locke afirmar que o Estado, mediante um contrato social, deve garantir a todos os indivíduos o direito ao bem-estar, na prática, nota-se o oposto. Pois o Estado não cria políticas públicas que solucionem o deficitário tratamento hídrico que oferece à população. Assim, as autoridades governamentais devem, urgentemente, rever o seu posicionamento.
Outrossim, é válido apontar a ação antrópica — agropecuária e indústria — como um outro agente que fomenta o impasse. A esse respeito, destaca-se o documentário estadunidense “Cowspiracy: O Segredo da Sustentabilidade”, que mostra como a agropecuária intensiva está dizimando os recursos naturais do planeta, em especial a água. Tal fato reflete diretamente na precariedade de água que a população mais carente — como os moradoras de favelas e comunidades — consome. Nesse viés, nota-se que os recursos hídricos não são distribuídos igualmente na sociedade brasileira e são desperdiçados em larga escala. Logo, medidas devem ser tomadas para alterar esse quadro deletério.
Portanto, é imperiosa a tomada de medidas para combater o avanço da problemática. Sendo assim, é dever do Governo Federal criar políticas públicas relacionadas à redistribuição de água no país, para atender toda a população brasileira, por meio da fiscalização da quantidade de água que vai para cada setor — residências, agropecuária, indústrias — e da aplicação de multas para quem ultrapassar o limite de uso de água diário, a fim de reduzir o desperdício e promover um programa de saneamento básico eficaz. Ademais, o Ministério da Saúde deve ampliar as redes de saneamento básico em áreas rurais, mediante projetos governamentais e fiscalizações. Com essas ações, poder-se-á esperar uma sociedade próxima de alcançar o bem-estar social.