A qualidade da água no Brasil

Enviada em 02/09/2020

O território brasileiro é possuidor do maior percentual de água doce continental do mundo, no qual pode ser encontrada tanto na superfície, como a Bacia Amazônica e São Francisco,  quanto no subsolo, como o Aquífero Alter do Chão e o Guarani. Embora a água seja um recurso renovável, essa é paradoxalmente escassa, pois o custo para tratá-la e disponibilizá-la para o consumo é alto e se torna cada vez mais oneroso devido à contaminação hídrica. Assim, é necessário ratificar que tal a poluição é resultado do insuficiente tratamento de esgoto e acesso à infraestrutura urbana de saneamento básico.

Primeiramente, é imperioso salientar que mais da metade do esgoto brasileiro não é tratado. Ademais, o descarte inadequado polui rios, praias, lençóis freáticos e compromete a saúde, o lazer humano e a sobrevivência de outros animais, como é o caso das praias cariocas, Flamengo e Botafogo, que são impróprias para o banho devido a alta contaminação.  Isso é resultado do despejo de resíduos no ambiente, como ratificado pelo Instituto Trata Brasil, que somente 46% do esgoto é tratado e mais de 5.715 piscinas olímpicas desse são descartados diretamente na natureza por ano sem preparo.

Concomitantemente, o precário acesso ao saneamento básico pela população agrava esse cenário. Tendo em vista a notória desigualdade social brasileira, muitas pessoas moram em habitações inadequadas e em lugares impróprios, como nas margens de rios, mananciais e igarapés ou em bairros sem atendimento de saneamento básico e coleta de lixo. Isso faz com que essas pessoas, sem opção, descartem seus dejetos e outros resíduos nas águas ou terrenos baldios e, assim, contaminem os recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Prova disso são os dados do Sistema de Informação sobre Saneamento que mostram que somente 56% da população brasileira têm acesso ao saneamento básico e mais de 35 milhões de pessoas sequer recebem água tratada de qualidade.

Portanto, é imprescindível combater a poluição das águas brasileiras e cabe às Prefeituras,  órgão público de ação local e precisa, impedir o descarte inadequado de esgoto e elevar o acesso ao saneamento básico. Para isso, tal Poder deve realizar ações que cumpram o Plano Diretor das cidades, como construção de bairros planejados, com pavimentação e rede de esgoto, ampliação das Estações de Tratamento de Água (ETA) e construção de aterros sanitários. Essas medidas visam mitigar a poluição hídrica, superficial e subterrânea, e proporcionar maior qualidade de água para a população, bem como o seu correto descarte na natureza, visto que os outros animais também dependem desse recurso. Além disso, o governo municipal pode promover políticas de engajamento e conscientização social sobre o combate ao despejo inadequado de resíduos nas águas para potencializar as medidas públicas para esse fim.