A qualidade da água no Brasil

Enviada em 30/08/2020

O Brasil detém quantidade invejável da água doce disponível no mundo, mas sua distribuição é muito desigual. Somado a isso, a boa qualidade da água no país encontra-se em cheque: a nação é 112ª em termos de evolução e cobertura de saneamento. A reação em cadeia causada pelo contato com água não-tratada torna-se um fenômeno oneroso aos governos federal e estaduais. Apesar disso, não recebe a devida urgência no cenário político.

O Atlas Esgotos, feito pela Agência Nacional de Águas, revela que 70% dos municípios não possuem uma estação de tratamento de esgotos, e somente 40% do esgoto nacional é coletado e tratado. O restante pode alcançar os corpos hídricos, e, como as estações de tratamento de água não estão preparadas para esse material, tendo em vista que os processos convencionais tornam-se insuficientes, é preciso empregar métodos mais caros.

Ainda que o tratamento da água seja realizado corretamente, outros usos dos recursos hídricos, tais quais nadar em um rio sujo ou utilizar água contaminada para lavar ou irrigar alimentos, podem disseminar doenças. Segundo o Instituto Trata Brasil, acima de 60% das doenças que levam a internações no SUS decorrem da água contaminada, sendo mais da metade dos casos em crianças de até 14 anos. A instituição também aponta que, apenas no âmbito de saúde pública, a universalização do saneamento traria uma economia anual de R$27 milhões aos cofres públicos.

Especialistas são unânimes em afirmar que o maior risco à boa da qualidade da água no país é a falta de tratamento de esgoto. A inércia das autoridades em abordar o assunto faz indispensável o envolvimento direto da sociedade civil, como feito no projeto Observando os Rios, da ONG SOS Mata Atlântica. Ele mobiliza comunidades em torno da qualidade da água de corpos hídricos das localidades onde vivem. Desta maneira, os dados levantados pelo projeto podem ser usados no aperfeiçoamento da legislação tratante do tema.